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Senhores da guerra afegãos exigem amnistia

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Senhores da guerra afegãos exigem amnistia

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Cerca de 25 mil afegãos responderam à chamada dos “senhores da guerra” e juntaram-se no estádio de Cabul para defender uma importante amnistia. O perdão foi previsto para crimes cometidos nas últimas três décadas de conflitos no Afeganistão.O projecto de lei de amnistia é controverso e foi votado e aprovado “em nome da reconciliação nacional”, o que colocou o presidente Karzai numa posição delicada, pois ele é contra.

O ministro afegão Abdullah Abdullah defende a medida como sendo de solidariedade com os milhões de mujahedines do Afeganistão que lutaram contra os solados da União Soviética e resistiram contra os talibãs e a Al Qaeda. Neste país, onde, desde a expulsão dos talibãs, o ano de 2006 foi o mais sangrento, os defensores dos Direitos do Homem e os trabalhadores da ONU contestam a legitimidade da amnistia. A organização Human Righs Watch tinha exigido, em Dezembro, a criação de um tribunal para julgar os criminosos de guerra afegãos.

No início do mês, o presidente Karzai, no início deste mês, mostrou-se reticente. Mas se vetar a lei, Karzai arrisca-se a ter contra si os poderosos senhores da gurra, que dominam o Parlamento. Muitos deles estiveram na manifestação de Cabul (o deputado Sayyaf, antigo presidente, o deputado Rabbani e o vice-presidente Khalili, assim como o homem forte de Herat e ministro da Energia Ismael Khan).

Todos estiveram envolvidos nas sangrentas guerras de libertação do país. Mais de um milhão e meio de afegãos foram mortos e milhares de outros foram torturados ou violados durante a luta contra a invasão soviética e a guerra civil que se seguiu entre as facções étnicas, entre 1992 e 96.

A tomada de Cabul pelos talibãs, nesse ano, marcou o início de um novo conflito com os resistentes da Aliança do Norte que só acabou em 2001 quando eles conseguiram entrar na capital com a ajuda dos americanos. Muitos comandantes sentam-se hoje no Parlamento e no governo ao lado de antigos comunistas e de ex-talibãs. Os analistas consideram que este ano vai ser decisivo para a guerra do Afeganistão e será muito perigoso provocar divisões no país.