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Leste quer reinvestir na energia nuclear


A redação de Bruxelas

Leste quer reinvestir na energia nuclear

Os países bálticos e a Polónia querem aumentar a sua segurança energética. O tema marca a agenda da Cimeira Europeia da próxima semana, mas é mais premente a Leste. Com o encerramento agendado, para 2009, da central lituana de Ignalina, não conforme às regras europeias, a Lituânia, mas não só, fica mais dependente da energia externa, sobretudo, da russa.

Assim, Vílnius está de olhos postos na construção de dois novos reactores. Um investimento de seis mil milhões de euros, que deve estar operacional em 2015. Deividas Matulionis, do ministério lituano dos Negócios Estrangeiros, defende o nuclear: “Na minha opinião, o nuclear é a única opção comercialmente viável capaz de fazer face ao problema das emissões de CO2. As outras opções são mais caras e, assim sendo, de alguma forma vamos ter de ver um certo renascimento do nuclear.”

Mas a Lituânia está também de olhos postos nos países vizinhos – como a Estónia, a Letónia ou mesmo a Polónia, por exemplo -, a quem tenciona vender a energia assim produzida, como nos confidencia o presidente lituano, Valdas Adamkus: “Queremos ser dos primeiros a fornecer este tipo de energia, não só para o desenvolvimento do nosso país, mas também, simultaneamente, para partilhar e vender aos nossos vizinhos.”

A Polónia foi um dos países mais atingidos, pelas crises energéticas com a Rússia. Sessenta por cento da energia polaca vem do carvão, e 12% depende do gás natural, vindo, sobretudo, da Rússia. Além disso, Varsóvia não vê com bons olhos o novo gasoduto a construir entre a Rússia e a Alemanha – que não passa pela Polónia. O analista e ex-conselheiro do governo polaco, Eugeniuz Smolar, admite que Varsóvia está cada vez mais cautelosa, face a Moscovo: “Depois do que aconteceu, com o corte do gás para a Ucrânia, e, este ano, com a Bielorrússia, acho que abrimos os olhos. Isto não é apenas um preconceito polaco contra a Rússia – não se trata de um preconceito, mas sim dos nossos interesses em termos de segurança.”

E Varsóvia insiste na segurança. Alega que Moscovo não é um parceiro de confiança e que tem de assinar a Carta da Energia, sobre a segurança do aprovisionamento. Mantém o veto à atribuição de fundos europeus para a construção do novo gasoduto. E, sobretudo, continua a vetar a abertura de negociações entre a Rússia e a União, para um novo acordo de parceria, enquanto Moscovo não levantar o embargo à importação de carne polaca. Exigências nem sempre bem vistas pelos parceiros comunitários.

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