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Valdas Adamkus, Presidente da Lituânia.

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Valdas Adamkus, Presidente da Lituânia.

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Valdas Adamkus está a cumprir o segundo mandato como presidente da Lituânia. Como chefe de Estado de um país báltico, Adamkus está naturalmente preocupado com as questões energéticas que afectam todas as regiões vizinhas da Rússia. A Lituânia está preocupada sobretudo com o bloqueio do oleoduto de Drujba, que deve fornecer petróleo russo à Polónia e aos Estados bálticos… A Lituânia pode em breve juntar-se à Polónia e outros Estados-membros ao impor sanções à Rússia… o tema vai ser um dos principais tópicos em cima da mesa, na cimeira de Bruxelas, na próxima semana.

EuroNews: “No que toca ao embargo da Rússia à carne polaca, o que é mais imoprtante para a União Europeia: que este embargo seja levantado, ou que o acordo de parceria com a Rússia seja assinado?

Valdas Adamkus: Acredito que a única maneira é encontrar uma saída, que pode, nalguns casos, ser um compromisso, mas sem criar confrontos. O meu desejo é que a Polónia não vá até às últimas consequências, ou seja, usar o veto e pôr em causa a relação da união Europeia com a Rússia… ao mesmo tempo, a Rússia tem de demonstrar alguma boa-vontade, sem fazer pressão sobre nenhum membro individual da União, e encontrar uma solução que seja aceitável para todos.

EuroNews: Sim… mas deste ponto de vista, não teme que a próxima cimeira da união Europeia se transforme num braço-de-ferro entre os países mais próximos da Rússia e outros que estão contra o uso político que Moscovo está a fazer do tema energético?

Valdas Adamkus: Não acredito que vá haver divisões nessa matéria. A União Europeia dedidiu falar a uma só voz e, se coloca a questão nesses termos, vai ser um bom teste para vermos se isso é mesmo verdade… ou se a situação vai mudar e as tensões individuais e as controvérsias vão prevalecer.

EuroNews: Sente-se assustado com a forma como a Rússia está a utilizar politicamente a questão da energia?

Valdas Adamkus: Os russos têm os seus próprios interesses, com o oleoduto de Drujba, e não é segredo para ninguém que estão a usá-la para pressionar politicamente a Lituânia… compreendemos isso e não acho que exista um confronto… um dia a situação vai resolver-se, porque há fontes alternativas e isso pode ser uma resposta para as nossas necessidades.

EuroNews: Qual é o significado político da construção de um novo reactor em Ignalina?

Valdas Adamkus: Qualquer país quer ser independente do ponto de vista energético, incluindo em termos de energia atómica… o nuclear é a energia do futuro. Queremos estar na primeira linha para desenvolver este tipo de energia, não só em nosso proveito, como também para poder partilhá-la e vendê-la aos nossos vizinhos.
Esta energia, cujas bases estamos a lançar na Lituânia, vai servir as necessidades da região e vai complementar a energia que estamos agora a usar.

EuroNews: Qual é, para si, a solução para o problema com a construção do gasoduto do Mar Báltico?

Valdas Adamkus: Vai semore haver diferenças… e há interesses diferentes, no que toca às fontes energéticas. Espero que consigamos resolver isso através da compreensão mútua e da cooperação. Ao mesmo tempo, estamos a construir a nossa independência energética, que é o nuclear.

EuroNews: Pensa que a construção deste sistema de defesa anti-míssil contribui para melhorar a segurança da região?

Valdas Adamkus: Não acredito que a região esteja a ser ameaçada, actualmente… a corrida às armas é sempre algo que cria tensão, em qualquer parte do mundo. Espero que a instalação de armas nucleares à volta desta região não vá ameaçar as zonas circundantes, como o Báltico ou a Escandinávia…
Penso que não vai criar tensões… vai mesmo criar um melhor entendimento, em relação à questão da segurança… é melhor ver as coisas do lado positivo, e não do lado negativo”.