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Renovável ou nuclear é a questão

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Renovável ou nuclear é a questão

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Em Montreui, nos subúrbios de Paris, encontramos um exemplo urbano de produção de energia renovável. Uma habitação social tem o tecto está coberto de painéis solares. Os painéis são geridos pelo CLER – Comité de Ligação das Energias Renováveis.

Num país onde o nuclear representa 40% da energia utilizada e 80% da electricidade, esta ONG aposta no desenvolvimento das energias renováveis, que respondem apenas por seis por cento do consumo – mais ou menos a média europeia.

O director-executivo do CLER, Arnaud Brunel, é um acérrimo defensor da coexistência das energias renováveis e nuclear: “Actualmente, não se trata de debater o lugar do nuclear face às energias renováveis. O importante é promover o uso controlado e a eficácia energética, e desenvolver as renováveis, que quase não existem em França, sobretudo ao nível da produção de electricidade.”

Para o CLER, o objectivo é impulsionar as energias renováveis, uma terceira via, entre a energia fóssil e a era atómica. A União Europeia está consciente da crescente importância do nuclear e uma grande parte dos Estados membros está mesmo a planear a construção de novas centrais, à medida que aumentam as tensões relativas à energia fóssil. Mas, segundo Frauke Thies, da Greenpeace, esse não é o bom caminho: “No que toca à energia nuclear, diferentes Estados membros têm diferentes posições. No que toca às energias renováveis, pelo contrário, temos uma tecnologia emergentes que é muito promissora e todos concordam com isso.”

É verdade que, no que respeita ao nuclear, a Europa está dividida. Mas, diz Santiago San Antonio, do Fórum Atómico Europeu, o nuclear pode desempenhar um papel fundamental no combate ao aquecimento global. Sobretudo quando Bruxelas fixou objectivos para a redução das emissões de CO2, mas alcançá-los depende, sobretudo, da boa vontade dos Estados membros.

“As propostas feitas pela Comissão, quanto aos objectivos de redução de CO2, não são claras. Mas, se queremos reduzir as emissões, reduzir a dependência exterior e garantir o fornecimento de electricidade na Europa, então tudo isso passa pela energia nuclear,” defende San Antonio. Uma opinião que é partilhada, sobretudo pelos antigos países comunistas. Embora tenham vivido de perto a catástrofe de Chernobyil, são grandes defensores do nuclear e estão a construir novos reactores.

A própria Alemanha, num processo de abandono progressivo do nuclear, começa a questionar-se se terá sido a boa opção, tendo em conta as necessidades de uma economia cada vez gulosa em electricidade.