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Bayrou: A Europa não foi feita para ser "mini"

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Bayrou: A Europa não foi feita para ser "mini"

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François Bayrou quer colocar a França no seio do projecto europeu. Foi pelo menos isto que o candidato à presidência francesa veio dizer a Bruxelas, onde foi convidado pelo clube de reflexão dos Amigos da Europa.

Com as sondagens a atribuírem-lhe entre 21 e 24 por cento das intenções de voto, Bayrou está cada vez mais próximo de Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal, uma aproximação inesperada no início da campanha presidencial.

O candidato centrista fez questão de explicar aos microfones da EuroNews a sua visão específica da Europa, que diz pretender desenvolver mais do que os seus adversários.

EuroNews – Senhor Bayrou, bem-vindo à EuroNews. No seu ponto de vista, como é que a União Europeia pode sair da crise ligada ao “não” francês e holandês à Constituição Europeia?

François Bayrou – É precisamente nesse ponto que nos encontramos hoje, com dois países que disseram não, 18 que disseram sim e outros, estou a pensar sobretudo na Grã-Bretanha, a quem esta situação dá jeito porque desta forma não têm que se colocar a questão.

Portanto, para mim é muito simples. Ao examinar o que aconteceu em França, concluo que os franceses disseram não porque o texto era ilegível, incompreensível, demasiado denso. Era um texto jurídico e não um texto fundador para os cidadãos.

O texto tem que ser curto, legível, compreensível para todos, que se limite ao essencial, com os mesmos princípios com um objectivo: este texto é feito para dar poder aos cidadãos e aos povos da União Europeia.

EN – Falou de um tratado conciso e curto, mas a complexidade deve-se à necessidade de haver um compromisso…

FB – Entrámos numa época, sobretudo por causa da internet, na qual os cidadãos vão querer compreender. Antes, eram as instituições para os que conheciam, para os diplomatas, para os tecnocratas. Pessoas que tinham as suas próprias regras e formas de ver as coisas, a sua própria linguagem, os seus próprios hábitos.

Agora, as pessoas querem compreender e sabem que se trata do seu destino e exigem linguagens simples, uma maneira de se exprimir que lhes dê a informação e o poder e este movimento é irreversível. De qualquer das formas eu vou defendê-lo.

EN – Não acha que a palavra “curto” sugere um “mini-tratado”?

FB – Ah não, detesto a expressão mini! A Europa foi concebida para ser algo de importante e de grande. Porque se a Europa serve para alguma coisa é para que participemos juntos no futuro do mundo.

EN – Mas não acha que para esta Europa de que fala é necessário um orçamento mais importante?

FB – Um dia essa questão será tratada, mas não deve ser discutida no quadro actual da questão das instituições. É preciso dar garantias a todos os cidadãos. As instituições, a lei fundamental, a Constituição, chame-lhe como quiser, devem garantir que nenhuma decisão seja tomada antes que eles próprios decidam; que nada lhes seja imposto. É apenas um quadro que garante aos cidadãos que eles vão poder expor as suas opiniões e decidir juntos.

EN – Ouvimos dizer com frequência, tanto em Bruxelas como em Paris, que a França perdeu muito poder no seio das instituições europeias. Também considera que a França sofre desse problema e que, por isso, a Europa sofre também com a perda de velocidade da França?

FB – Penso que a França não cumpriu o seu papel. Não quero entrar em polémicas, mas a França não tem cumprido o seu papel nas últimas décadas. Ela esteve muito longe, talvez porque não acreditava o suficiente.

EN – Senhor Bayrou, acredita que vai ser o próximo presidente de França?

FB – Acredito que sim.