Última hora

Última hora

Hans-Gert Poettering quer uma Declaração de Berlim ambiciosa

Em leitura:

Hans-Gert Poettering quer uma Declaração de Berlim ambiciosa

Tamanho do texto Aa Aa

É presidente do Parlamento Europeu desde Janeiro e é nessa condição que está a preparar a participação na cimeira berlinense do final da semana. Os 27 vão discutir os pontos da famosa Declaração de Berlim, que tem como objectivo pôr um termo à “avaria institucional” da União. À margem da última sessão em Estrasburgo, Hans-Gert Poettering fez questão de partilhar com os telespectadores da EuroNews a sua visão do futuro de uma Europa Comunitária.

EuroNews: Hans-Gert Poettering bem-vindo à EuroNews. Antes mesmo de existir, a Declaração de Berlim tem sido alvo de um severo criticismo. Acha que vai ser um documento útil para a Europa?

Hans-Gert Poettering: Creio que é muito positivo que as três instituições europeias planeiem adoptar esta declaração, se todos estiverem de acordo – o que acredito que vai acontecer. Num jantar durante a cimeira europeia de Bruxelas, os chefes de Estado e de Governo, o presidente da Comissão e eu conversámos sobre a declaração. O resultado é que, e eu tenho a certeza disso, temos que conseguir um texto consolidado, que pode ser uma preparação psicológica e política para a cimeira dos chefes de Estado e de governo dos dias 21 e 22 de Junho, onde esperamos ter um mandato e onde deveremos definir os pontos para continuarmos com a Constituição. Temos que ver isto de uma forma contínua, passo a passo: a cimeira de Bruxelas sobre o clima – que aliás foi um sucesso -, a declaração solene de Berlim no dia 25 de Março e a cimeira dos dias 21 e 22 de Junho em Bruxelas. É o progresso. Se a confiança entre todas as partes aumentar e se todos os europeus tiverem mais confiança na Europa, então teremos a Europa unida e no final seremos bem-sucedidos.

EuroNews: Disse que a Declaração de Berlim devia fazer referência aos valores europeus. Pode ser mais preciso em relação ao conteúdo desses valores?

Hans-Gert Poettering: Sim. Acho que é muito importante dar importância ao nosso sucesso e parte desse sucesso são os nossos valores europeus. Não é porque temos opiniões diferentes que andamos a disparar uns contra os outros. Usamos as instituições europeias, que têm como base a lei. Debatemos politicamente para tomarmos decisões. A percepção de solidariedade é importante para o futuro da Europa. Tudo isto deve ser escrito na declaração, assim como os desafios como a globalização, as alterações climáticas, o diálogo entre culturas, as questões da imigração e do asilo. Mas também questões que vão mais longe, como o fornecimento de energia, que têm que ser incluídas na declaração. Isto é, os maiores desafios do século XXI. É muito importante chegarmos a um compromisso entre as instituições europeias e os Estados-membros para iniciarmos as reformas necessárias para lidarmos com estes desafios.

EuroNews: Acha que deve ser dada ênfase à dimensão social da União Europeia?

Hans-Gert Poettering: Acho que é um ponto importante num momento em que discutimos a globalização de uma perspectiva económica. Não podemos ter só em conta o mercado ou a competitividade. Também é importante, mas temos que preservar o modelo social europeu e isso deveria fazer parte da declaração.

EuroNews: Acha que devemos falar de um novo tratado ou de uma nova Constituição?

Hans-Gert Poettering: No final é mais importante preservar a substância do tratado do que os nomes que lhe damos. Se pudermos manter a substância da Constituição nem sequer precisamos de lhe chamar Constituição porque, de qualquer das formas, o nome é menos importante do que o conteúdo.

EuroNews: Também é dos que consideram que as eleições presidenciais francesas são actualmente o maior obstáculo para qualquer progresso ao nível europeu?

Hans-Gert Poettering: Não é apenas a questão francesa e o infeliz “não” francês no referendo. Há outros países hesitantes. Não quero mencionar os países em particular porque quero resultados e não podemos ter resultados se acusamos ou apontamos o dedo a outros governos ou países, em vez de nos unirmos. Temos que nos unir. A Europa é um acordo, um compromisso. Se não estamos preparados para chegar a um acordo, então não obtemos bons resultados. Se um governo bloquear um acordo com um veto está a isolar-se e perde o direito de exigir a solidariedade dos outros.

EuroNews: 50 anos antes, como é que os 100 anos do Tratado de Roma deverão ser celebrados?

Hans-Gert Poettering: Espero que nessa altura tenhamos uma União Europeia capaz de agir. Uma União Europeia forte, democrática, que defende os seus valores e interesses no mundo. E que todos os europeus tenham orgulho nos últimos 100 anos para podermos avançar com confiança para os segundos 100 anos de uma Europa unificada.