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Australiano é o primeiro no banco dos réus de Guantanamo

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Australiano é o primeiro no banco dos réus de Guantanamo

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A prisão norte-americana de Guantanamo retoma esta segunda-feira a sua polémica actividade judicial. Um tribunal militar de excepção vai acusar formalmente o cidadão australiano David Hicks de “apoio logístico a uma organização terrorista”. Hicks tinha sido detido em 2001 no Afeganistão, alegadamente num campo de treino da Al-Qaida.

Em 2004, tinha sido acusado de ajuda ao inimigo e tentativa de assassínio, antes do supremo tribunal norte-americano invalidar a anterior fórmula de tribunais militares. Segundo o procurador militar, o coronel Maurice Davis, “se Hicks for condenado incorre no máximo numa pena de prisão perpétua. De qualquer forma a acusação não deverá pedir esta pena, tudo depende da acusação apresentada contra ele”.

O tribunal ofereceu a Hicks a possibilidade de uma redução de pena caso se reconheça culpado, uma hipótese que deverá ser recusada pelo arguido. Para o advogado de defesa, o processo não dá garantias de equidade, “os testemunhos apresentados poderão ter sido feitos sob tortura”.

O caso gera desde há meses uma vaga de descontentamento na Austrália onde se sucedem as manifestações em apoio a Hick, e as dúvidas sobre as provas apresentadas contra o arguido. Washington quer julgar em Guantanamo entre 60 e 80 das mais de 700 pessoas – “combatentes inimigos” na gíria oficial – que se mantém detidas à margem de todas as convenções internacionais.