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Referendo no Egipto tem pouco de democrático

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Referendo no Egipto tem pouco de democrático

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O Egipto referenda hoje um pacote de reformas constitucionais, que oficialmente tornarão o país “mais seguro e democrático”. O sufrágio é no entanto contestado pela oposição e grupos de defesa dos direitos humanos como uma forma de suprimir liberdades cívicas e consolidar o poder do partido nacional democrata do presidente Osni Mubarak.

Segundo o governo apenas 30% dos eleitores deverão descer às urnas, oficialmente, “por escassez de assembleias de voto”. Correspondentes estrangeiros no país referem a intensa actividade dos quadros do partido oficial para condicionarem o voto dos cidadãos.

Para um habitante do Cairo, “o referendo é positivo pois ajuda as pessoas a exprimirem a sua opinião”. Para outro, “a maioria da população não conhece sequer quais as reformas que estão em jogo, não houve qualquer campanha de informação antes do referendo”, afirma.

A principal formação da oposição, a Irmandade muçulmana, apelou a um boicote ao sufrágio. Entre outras medidas, as reformas constituicionais visem a formação, ao proibire a criação de partidos religiosos. O texto contempla ainda o reforço do poder da polícia e mesmo a supressão de juízes das assembleias de voto.

Esta manhã várias figuras da oposição apelavam aos eleitores para que não votassem, falando de “farsa eleitoral” e de “regresso a um estado policial”. Não há uma data para anúncio dos resultados finais e nem mesmo uma sondagem à boca das urnas, um cenário de obscurantismo eleitoral que se repete há 50 anos no Egipto.