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Referendo no Egipto: uma consulta pouco popular

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Referendo no Egipto: uma consulta pouco popular

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Há 50 anos que as eleições no Egipto seguem os mesmos rituais. Os autocarros alugados pelo regime, com funcionários públicos e habitantes dos bairros pobres a bordo, precedem a chegada do presidente Hosni Mubarak à assembleia de voto.
A participação reduz-se a menos de 30%, sem sondagens à boca das urnas mas com um resultado eleitoral anunciado.

O referendo de hoje às reformas constitucionais não foge à excepção. Para o regime trata-se, oficialmente, de reforçar a segurança e a democracia no país, para a oposição e grupos de defesa dos direitos humanos o que está em causa é o reforço do poder do presidente e do seu partido nacional democrata.

Entre as 34 medidas submetidas a referendo, conta-se o reforço do campo de acção da polícia, a redução do poder dos magistrados e a interdição de criar um partido com base religiosa. Uma medida que tem por alvo a irmandade muçulmana, um poderoso movimento islamista, cujos deputados independentes têm vindo a ganhar
terreno junto do eleitorado egípcio.

Hoje no Cairo, dezenas de opositores manifestaram-se para denunciar o que chamaram de “farsa eleitoral” e de “regresso a um estado policial”. Como desde há 50 anos, não foi anunciada nem uma hora nem uma data para o anúncio dos resultados finais.