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Confissões de detidos de Guantánamo geram polémica sobre uso de tortura

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Confissões de detidos de Guantánamo geram polémica sobre uso de tortura

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As confissões de alegados terroristas presos em Guantánamo parecem legitimar a política da administração Bush mas não deixam de perturbar a opinião pública e os especialistas judiciais que se interrogam sobre a forma como estas foram obtidas. Como se sabe há muito tempo, em Guantánamo, os detidos não têm advogados.

Os combatentes inimigos são julgados em tribunais militares especiais. É o caso de Cheik Mohamed que confessou a semana passada ser o cérebro do 11 de Setembro e de uma série de outras acções terroristas no mundo. Segundo Michael Ratner, do Centro para os Direitos Constitucionais tudo é decidido antes do tribunal.

“Os resultados estão pré-determinados, antes de irem para estes estas audiências especiais, já foi decidido que a pessoa seria classificada como um combatente inimigo. O que este tribunal faz é confirmar o que já está estabelecido”, defende Michael Ratner.

De acordo com os especialistas em direito e as associações de defesa dos direitos humanos, o objectivo destas audiências é apenas confirmar o estatuto de combatente inimigo, a qualquer preço, mesmo que seja necessário sacrificar da transparência do processo judicial.

“A administração tem tentado impedir por todos os meios que estas pessoas falem com um verdadeiro juiz ou um verdadeiro advogado. É quase patológico. A razão é óbvia. Por um lado, é bastante claro que os prisioneiros foram torturados. O presidente sabia disso e poderá mesmo ter ordenado que fossem torturados com uma técnica conhecido como “tapume de água”. A maioria das coisas que disseram sob tortura não seriam admitidas num verdadeiro tribunal”, afirma Jonathan Turley, Professor de Direito na Universidade George Washington.

A Casa Branca evoca a necessidade de lutar contra o terrorismo. De que forma a história vai avaliar esta luta? “Daqui a 50 anos, olhando para Guantánamo, as pessoas vão dizer que a América agiu bem, enfrentou muitas críticas mas fez a coisa certa” defende o Comandante Harry Harris.