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A travessia mortal do golfo de Aden

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A travessia mortal do golfo de Aden

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As rotas da imigração clandestina entre a Somália e o Iémen inquietam o Alto Comissariado para os refugiados da ONU, que lançou hoje um alerta para a situação. Desde o início do ano mais de uma centena e meia de pessoas morreram na travessia do golfo de Aden, às mãos de traficantes sem escrúpulos.

Os sobreviventes relatam os maus tratos inflingidos aos passageiros que na maior parte das vezes são lançados à água antes de chegar ao destino. “Os traficantes são violentos, bateram-nos muito, mas felizmente quando nos lançaram à água estávamos perto da costa, por isso a maioria das pessoas no meu barco conseguiu sobreviver”, afirma um sobrevivente numa praia do Iémen.

A maioria dos clandestinos tenta procurar refúgio no Iémen fugindo à guerra que opõe na Somália o governo às milícias islamistas. Uma fuga que termina a maior parte das vezes no centro de refugiados da ONU de Mayfa no Iémen. “Muitos entram aqui com marcas de espancamento ou de ataques dos tubarões que infestam as águas do golfo de Aden”, afirma um responsável do centro.

A travessia de 30 horas custa cerca de 40 euros, em barcos sobrelotados, sem água nem comida. Para as mulheres aos maus tratos somam-se os casos de violação. “Quando estávamos ao largo da costa forçaram-nos a saltar para a água e quando foi quando cheguei à praia que vi todos aqueles cadáveres sobre a areia”, afirma uma refugiada.

Só em 2006 foram 26 mil pessoas a arriscarem a vida nesta travessia. Pelo menos 300 pessoas morreram outras tantas continuam desaparecidas. Para os sobreviventes ficam as marcas de quem trocou a guerra pela pobreza.