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Kissinger defende relações estreitas entre UE e EUA

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Kissinger defende relações estreitas entre UE e EUA

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Henry Kissinger desempenhou um papel importante na pacificação das relações com a Rússia nos anos 70. Hoje em dia, o ex-secretário de Estado americano lame nta que alguns países europeus e a Rússia se insurjam contra o programa de defesa anti-mísseis na Polónia e na República Checa.
Em entrevista à Euronews, Kissinger defendeu uma relação mais estreita entre os Estados Unidos e a União Europeia.

Sergio Cantone , EuroNews:
Bem-vindo à Euronews.Vamos falar sobre o Irão. Acha que os Estados Unidos e a comunidade internacional devem manter conversações com o Irão?

Henry Kissinger:
Temos de ter a certeza de que esgotámos todas as possibilidades de nos entendermos com o Irão. Não acredito que exista um conflito nacional entre o Irão e os Estados Unidos. Os Estados Unidos não têm razões para se opor a um Irão forte e próspero. Aquilo a que nos podemos opor é à tentativa de qualquer país, incluindo o Irão, de dominar o Médio Oriente. A questão nuclear não diz respeito apenas ao Irão mas ao mundo inteiro.

EuroNews:
As autoridades iranianas dizem que não estão a produzir uma arma nuclear e que têm apenas objectivos civis…

Henry Kissinger:
Sim, mas todos os países que constroem armas nucleares dizem isso. Chegou-se a um ponto em que a proliferação de armas nucleares é um perigo para o sistema internacional. Por isso é preciso traçar um linha algures. Estamos a falar do que se passa agora com o Irão mas podíamos aplicar esta regra a qualquer outra situação.

EUroNews:
A União Europeia, a Europa e os Estados Unidos adoptam diferentes atitudes quando se relacionam com a Rússia. Podemos observar que há diferentes pontos de vista. Por exemplo, há a questão dos escudos anti-mísseis. Qual é a sua opinião sobre esta matéria?

Henry Kissinger:
Tenho relutância em aceitar a ideia de que uma defesa em território europeu, que de resto os Russos podem sempre eliminar, é uma ameaça à Rússia. Posso entender a posição russa em relação à expansão da NATO para novos territórios. Mas não entendo porque estão a criar toda uma polémica em torno do programa de defesa anti-mísseis na Polónia e na República Checa. E estou também desiludido com algumas reacções europeias.

EuroNews:
Não pensa que esses países europeus precisam da Rússia sobretudo para o fornecimento de energia?

Henry Kissinger:
É em parte porque precisam da Rússia e em parte devido a uma espécie de atitude romântica que existe em relação à Rússia em alguns países. E em parte também porque se desenvolveram nestes países, nos últimos anos, grupo anti-americanos. Por isso cada vez que surge uma questão deste tipo , eles reagem instinctivamente.

EuroNews:
Pensa que a União Europeia enquanto união política tem futuro?

Henry Kissinger:
É de facto muito difícil criar uma entidade política que se estende da Bulgária à Dinamarca e conseguir uma política comum.
Na altura em que eu era secretário de Estado não havia uma identidade organizacional com que pudéssemos lidar. Saíram notícias a dizer que eu tinha dito que não sabia qual era o número de telefone da Europa. Não tenho a certeza de ter dito isso mas agora penso que é uma boa frase, porque não haveria de concordar com ela?

Euronews:
Já encontrou o número?

Henry Kissinger:
Agora, não só temos um telefone como estamos cada vez mais organizados. Já não é como antes em que cada passo tinha de ser aprovado pelos ministros. Agora Solana tem mais flexibilidade. Penso que a União Europeia está a ir na direcção certa. Sim, espero que os países europeus sintam o perigo da mesma forma que os estados unidos o sentem mas nao penso que estejamos em crise…. Há agora eleições em França. A Alemanha tem um novo governo. Quando todos estes processos estiverem concluídos teremos uma boa oportunidade para avançar em direcção a um processo de consulta mais estreito.