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Estatégia de defesa nacional causou crise política na Ucrânia

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Estatégia de defesa nacional causou crise política na Ucrânia

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Já há um mês, Victor Iushchenko, na entrevista que concedeu à Euronews, não escondia o desacordo com o primeiro-ministro, Victor Ianukovich sobre o sistema de defesa de anti-mísseis. Mas, agora, o confronto é total.

Ultrapassou, mesmo, a habitual barreira entre a linha pró-ocidental (com que se identificava o presidente) e a linha pró-russa (do primeiro-ministro).

O presidente da Duma, Boris Grislov, explica que a batalha pelo poder deixou de ser uma questão de concorrência, é uma confrontação para ambas as partes, e, tal como antes, também se faz nas ruas.

Em Outubro e Novembro de 2004, a seguir a uma fraude eleitoral e à pressão popular da Revolução Laranja, o Supremo Tribunal anulou o resultado que dava como vencedor o que agora é chefe de governo, Ianoukovitch.

Iushchenko, sob a bandeira da Europa, do liberalismo e o apoio dos Estados Unidos, conseguiu a presidência, prestando juramento em 2005. Designou como primeiro-ministra a controversa heroína do povo Iulia Tymochenko. Mas o idílio durou apenas oito meses. Depois de graves acusações de corrupção e manobras políticas diversas o governo foi destituído.
A divisão do país tornou-se evidente: de um lado os defensores da revolução laranja a quererem responder ao apelo do Ocidente e da NATO; do outro, os portadores das bandeiras azuis pró-Ianukovich a alinharem pela Rússia e pelos países da CEI, mas também pela Europa alargada.
Em Março de 2006, Iushchenko sofreu a derrota nas legislativas e a coligação laranja foi ultrapassada pela azul. Foi o início da crise política actual.
A 6 de Julho, o pequeno partido socialista da aliança laranja rebelou-se e aderiu ao campo pró-Ianukovitch, que assim obteve a maioria. No entanto, um Pacto de União Nacional salvou a situação e Iushchenko nomeou o rival como chefe do governo, em Agosto.
A coabitação foi, no entanto, caótica.
Em Setembro, o novo primeiro-ministro anunciou uma pausa no processo de integração do país na NATO, por causa das manobras na Crimeia, um exercício conjunto americano e ucraniano, no qual a Aliança Atlântica negou envolvimento.
O presidente não gostou. Em Janeiro deste ano, o chefe da diplomacia, um pró-ocidental da corrente laranja, demitiu-se.
Agora, a decisão do presidente Iushchenko parece uma desesperada tentativa para se manter no poder. “É necessário dissolver o Parlamento – justifica – para salvar a oposição, sem a qual a democracia é impossível”.