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Pobreza em Marrocos favorece terrorismo

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Pobreza em Marrocos favorece terrorismo

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A monarquia marroquina, incarnada por Mohamed VI, ainda é um bastião contra o islamismo radical? Durante o reino do pai, Hassan II, Marrocos foi um refúgio de paz, impermeável às ameaças que atingiam os vizinhos do Magreb. Depois de quatro anos de tranquilidade, vem o tempo da inquietude.

Em Maio de 2003, cinco atentados em simultâneo, em Casablanca, mataram 24 pessoas e feriram cerca de 60. Os autores foram 12 kamikazes e tiveram por alvo lugares simbólicos do sector do turismo, da comunidade judaica e espanhola, nomeadamente a Casa de Espanha – clube frequentado por empresários espanhois. A marca da Al Qaida era evidente.

A polícia não perdeu tempo: desmantelou mais de 50 células islamitas, algumas ligadas à rede de Bin Laden, e fez mais de três mil detenções, às quais se seguiram algumas condenações à morte. Marrocos tranquilizava assim os vizinhos.

Mas no fim de Março de 2007, 24 suspeitos foram detidos num bairro pobre de Casablanca, sob a acusação de envolvvimento na preparação de atentados contra a indústria do turismo. Sete dos detidos são alegados terroristas suicidas.

As imagens revelam bem o elo entre o fortalecimento do terrorismo internacional no país e a extrema pobreza em que vive a maioria dos marroquinos. Com uma taxa de analfabetismo de 50 por cento e um PIB por habitante de 1669 euros em 2006, Marrocos é considerado um dos parentes pobres do Magreb.

A incompetência das elites locais ocidentalizadas, a corrupção e a frustração, face aos acontecimentos do Médio Oriente, contribuem também para o aumento do fundamentalismo.

O jornalista Jamal Ouhabi confirma:
“A Al Qaida anda a doutrinar as pessoas, na Internet ou mesmo aqui, em Marrocos. E estão a recrutar muita gente aqui, em Tetouan.

Implantando-se em Marrocos, a Al Qaida ameaça toda a Europa. Primeiro Espanha, principalmente as cidades de Ceuta e Mellila, assim como Andaluzia, a antiga Al Andalous – como ainda chamam os radicais.