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Ianukovitch defende Ucrânia mais pró-europeia

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Ianukovitch defende Ucrânia mais pró-europeia

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O primeiro-ministro ucraniano, Victor Ianukovitch, discursou perante os deputados da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo. Em entrevista à EuroNews, defendeu a coligação governamental e mostrou-se pró-europeu e conciliador. Por seu lado, o presidente, Victor Iuschenko, esteve em Bruxelas para se encontrar com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. A Ucrânia está em crise desde que o presidente dissolveu o Parlamento e convocou eleições antecipadas, a 2 de Abril.

EuroNews: Primeiro-ministro, quais são as raízes da crise política actual na Ucrânia?

Primeiro-ministro: As raízes desta crise devem ser procuradas num só facto: uma administração estatal ineficaz durante anos de independência na Ucrânia. E o pior é que o poder não responde pelas suas faltas nesta confusão toda pois não havia uma verdadeira cooperação entre os poderes executivo e legislativo. Este modelo não é aceitável para a população ucraniana e para os parceiros internacionais. O ano de 2004 clarificou o problema. Os ucranianos sairam à rua, com diferentes bandeiras, para defender os seus princípios. Diria que 2004 foi o ano da purificação da vida social. Foi nesse ano que adoptámos uma nova constituição e que o sistema presidencial e parlamentar foi instaurado. Para a etapa seguinte, começámos a trabalhar na reforma constitucional. A nova constituição está consolidada, os novos princípios políticos estavam para ser implantados pela coligação no poder. Mas o velho sistema resiste às mudanças . Não quer partir nem partilhar o poder… aliás, evita-o de todas as maneiras.

EuroNews: Primeiro-ministro, o conflito actual é apresentado por alguns analistas como um conflito pessoal do pró-russo Yanukovich e o pró- ocidental Ioushchenko. Pode comentar?

PM: Já falei das razões deste conflito. Há duas faces, naturalmente. Neste caso particular podemos apontar somente para o presidente Ioushchenko e o primeiro-ministro Ianukovich. Mas o cerne da questão é absolutament diferente. Não há conflito de personalidades. Digo e repito que todos os políticos devem obedecer aos princípios democráticos. E têm de aceitar isto. Não gostaria que os meus filhos vivessem num país onde o princípio é o uso da política em proveito próprio, acima da lei, dos direitos humanos, da liberdade de expressão. Queremos viver numa Ucrânia democrática.

EuroNews: Não respondeu à questão dos rótulos pró-russo e pró-ocidental…

PM: Primeiro temos de entender quais são os princípios em que se baseiam a Europa e a Rússia e depois podemos responder à questão.

EuroNews: OK. Ponho a questão doutra maneira. A Ucrânia deve juntar-se à NATO? E o que pensa o senhor sobre a colocação de elementos do sistema norte americano de defesa antimísseis na Polónia e na República checa?

PM: Penso que não há hipótese de iniciar este processo na Ucrânia. Temos de fazer um referendo nacional para entrar na NATO. Mas, actualmente, só 15 a 20 por cento dos ucranianos apoiam a ideia da adesão à Aliança Atlântica.Não há esperança para um resultado melhor. E o que perguntava de ..?

EuroNews: do sitema de defesa anti-mísseis…

PM : Sim, claro.Insistimos constantemente no facto de que a Europa deve criar o seu próprio sistema de segurança, mas com o envolvimento de todos os Estados, porque interessa a todos. É o que pensamos e esperamos que todos os europeus apoiem.

EuroNews: Um dos cenários possíveis para a Ucrânia prevê a divisão do Estado em dois, um ocidental e outro oriental. Isso é mesmo um perigo? E como lutar contra isso?

PM: Acredito na sabedoria do povo da Ucrânia, que acabará por manter a união. Também acho que os políticos ucranianos chegarão a consenso através do diálogo. Por fim, alguns dos que foram eleitos terão de ser responsabilizados pelos seus actos.

EuroNews: E já agora, para terminar, o que espera das eleições antecipadas ( se acontecerem)?

PM: As sondagens são favoráveis à coligação. Sociologicamente mostram uma taxa estável para a nossa política de coligação. Se as eleições tiverem lugar dentro de pouco tempo, estamos certos de ganhar. Mas, acima de tudo, as eleições têm de ser organizadas de acordo com a lei e a constituição do país.