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Embaixador dos EUA na UE: "Da cimeira, vai resultar um compromisso político de alto nível"

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Embaixador dos EUA na UE: "Da cimeira, vai resultar um compromisso político de alto nível"

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A proposta da presidência alemã da União Europeia, a favor de um grande mercado transatlântico, foi acolhida com grande entusiasmo em Washington. Segundo Clayland Boyden Gray, embaixador dos Estados Unidos em Bruxelas, este é o tema mais importante na cimeira Europa-América, esta segunda-feira na capital norte-americana. O tema do aquecimento global está também em cima da mesa.

Sergio Cantone, EuroNews: Sr. embaixador, bem-vindo à Euronews. Quais são os principais tópicos desta cimeira transatlântica, de um ponto de vista norte-americano?

Clayland Boyden Gray, embaixador dos EUA: Penso que, a menos que haja um incidente de política externa, o assunto fundamental que vamos tratar será a proposta da chanceler Merkel sobre a integração económica. Creio que será um ponto central, esta iniciativa, feita em nome da União Europeia, que nós aceitámos com bastante interesse.

EN: Por que razão estima que esta proposta da chanceler Merkel é importante?

CBG: Precisamos da ronda de Doha, precisamos da Organização Mundial do Comércio e das negociações comerciais multilaterais, em benefício dos países em vias de desenvolvimento. Isto é muito importante. É um assunto que não pode ser tratado de forma apenas bilateral. Porque é preciso estabelecer regras, não se trata apenas de tarifas e subsídios. Ambos os continentes necessitam de reduzir os obstáculos ao intercâmbio e ao investimento, porque só assim podemos crescer, mesmo se a Europa tenha um crescimento maior que os Estados Unidos. Ambos podem assim beneficiar das oportunidades que há no Sudeste Asiático e nos países emergentes.

EN: Estados Unidos e União Europea, na sua opinião, precisam de um acordo vinculativo, que regule e possa melhorar o intercâmbio comercial?

CBG: Uma vez que se cria um regulamento e se faz reformas, para o tornar mais harmonioso e menos pesado, passa a ser vinculativo. Mas será possível fazer essas mudanças? É muito difícil.

EN: Mas, de um ponto de vista legal…

CBG: Não… ninguém se pode cometer legalmente a fazer algo que não foi ainda considerado. Mas é possível um compromisso político, e penso que vai ser esse o resultado da cimeira. Será um compromisso político de alto nivel, que vai estar submetido a um controlo. Dessa maneira, os meios de comunicação, as partes implicadas em ambos os blocos, ambos os continentes, podem verificar se foram feitos progressos, para ter a certeza de que os altos funcionarios fizeram o mais adequado para os interesses dos consumidores em ambos os países e continentes.

EN: A proposta alemã não tem apenas uma relevância económica. Tem também uma grande importância política. Qual a sua opinião?

CBG: Creio que o que a chanceler Merkel quer fazer e o que o presidente Barroso também deseja, tal como o conjunto da União Europeia, é dar um claro sinal de que é preciso continuar a aprofundar a relação com os Estados Unidos, com quem se partilham valores comuns, além de partilharem também 60% do PIB mundial e 40% do comércio. Podemos melhorar isso, fazendo uma frente comum àqueles que não respeitam os direitos de autor, aos proteccionistas e aos países que agem de forma contrária aos valores partilhados por ambos os continentes desde há séculos.

EN: No que toca ao aquecimento global, pensa que, na última cimeira, a União Europea assumiu os compromissos certos, para lutar contra este fenómeno?

CBG: A Europa demonstrou uma grande capacidade de liderança. Fizeram um melhor trabalho, em termos de explicações, do que nós nos Estados Unidos. no entanto, há que destacar um ponto: nenhum dos blocos pode fazer seja o que for neste terreno sem a China, a Índia e as economias emergentes. Temos que convencê-los a começar a usar as novas tecnologias, tal como fazemos no Ocidente.

EN: Isso significa que, sem a China e a Índia, estes compromissos da União Europeia não são viáveis, de um ponto de vista económico?

CBG: De um ponto de vista científico, não demonstram muito. Ou seja, podem desligar o Reino Unido, apagar todas as luzes no país e imobilizar todos os carros. Isso não serve de nada, se aumentarem as emissões na China. Precisamos da China. Eles vão, provavelmente este ano, ultrapassar-nos como principal emissor de gases. Isso elimina qualquer redução que os Estados Unidos ou a Europa possam fazer. Por isso temos mesmo que contar com eles. O problema de deixá-los fora do sistema de controlo de emissões significa não só que não se avança nada, de um ponto de vista científico, mas também que nos vai custar empregos. Vai obrigar uma parte da nossa indístria a transferir-se para a China, onde os custos são inferiores. Na verdade, recebemos muita poluição da China, que chega ao Estado da Califórnia.

EN: Esse assunto vai, de alguma maneira, ser abordado na cimeira?

CBG: Com certeza, vai ser uma questão fundamental. Propusémos uma agenda muito corajosa, para que a gasolina seja substituída por biocarburantes e para o uso de veículos mais eficientes. Essa substituição vai ser de 20%, o dobro do que propôs a Europa. Por isso, estou convencido de que estamos a cumpir a nossa parte. E preciso haver esforços para que as economias emergentes cumpram também a delas.