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Governo turco furioso com ingerência do exército na véspera de nova manifestação a favor da laicidade

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Governo turco furioso com ingerência do exército na véspera de nova manifestação a favor da laicidade

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A Turquia está à beira de uma crise política e o ambiente é tenso, sobretudo, este domingo. Hoje tem lugar em Istambul uma nova manifestação para defender a laicidade do país. Esperam-se milhares de pessoas, como a 14 de Abril. Já ontem, um milhar de pessoas juntou-se frente à Universidade em Ancara. A candidatura do ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gul, à presidência não está apenas a dividir a sociedade turca, está também a provocar uma crise entre o governo e o exército.

Os partidos laicos e as chefias militares temem que a eleição de Abdullah Gul, membro do AKP, de tendência islamita, ponha em causa a separação entre religião e Estado. Gul não foi eleito à primeira volta e o exército, através do chefe do estado-maior, o general Yasar Buyukanit, diz estar preocupado e pronto a intervir para defender os valores laicos.

Com o desenhar da crise, a imprensa e a oposição reclamam eleições antecipadas. Tal ocorrerá se o Tribunal Constitucional invalidar a votação de sexta-feira como pedem os partidos laicos, que boicotaram a sessão parlamentar. O governo contesta a ingerência do exército nas presidenciais e por intermédio do ministro da Justiça, Cemil Cicek, recorda que as forças armadas estão sob tutela do primeiro-ministro.

Dezenas de nacionalistas manifestaram-se ontem em Istambul contra a ingerência do exército. Também a União Europeia pede aos militares turcos que fiquem fora da política e recorda que a democracia é condição fundamental para a candidatura da Turquia ao clube europeu.