Última hora

Última hora

Debate sem vencedor entre Royal e Sarkozy

Em leitura:

Debate sem vencedor entre Royal e Sarkozy

Tamanho do texto Aa Aa

Tenso, mas sem vencedor. Assim foi o primeiro debate entre candidatos às presidenciais francesas dos últimos 12 anos. A França não assistia a um encontro deste tipo desde o frente-a-frente entre Jacques Chirac e o socialista Lionel Jospin em 1995.

Apesar de uma primeira sondagem considerar Nicolas Sarkozy como mais convincente, editorialistas e analistas franceses classificaram o encontro como um empate. O candidato conservador enfrentou uma rival com uma postura mais agressiva do que durante a campanha eleitoral.

A afirmação de Sarkozy de que cada criança com deficiência deve poder frequentar uma “escola normal” criou um dos momentos mais emotivos do debate.

Ségolène Royal disse “estar escandalizada”, lembrando que foi o Governo de direita – integrado por Sarkozy – que eliminou as ajudas às pessoas com deficiências em 2002.

Seguiu-se uma troca de palavras duras, em que o líder da União para um Movimento Popular acusou Royal de “perder as estribeiras”.

Durante as mais de duas horas e meia que durou o encontro, Sarkozy atacou o programa económico da candidata socialista. Royal contra-atacou com o desempenho do rival enquanto ministro do Interior.

O frente-a-frente televisivo bateu recordes, atraindo em directo mais de 20 milhões de telespectadores.

Questionado hoje sobre o balanço do encontro, o candidato conservador mostrou-se “contente”. Sarkozy considera que “correu bem”, de forma “interessante” e “digna”, “sem problemas”. A respeito da rival, disse que “todos têm o direito de se enervar” e ironizou afirmando que “seria sem dúvida o stress”.

A quatro dias da segunda volta, o debate assumia particular importância para Ségolène Royal, que precisa de inverter a desvantagem nas sondagens sobre as intenções de voto para o próximo domingo.

Questionada pela rádio pública France Inter acerca do comportamento de Sarkozy, a candidata socialista considera que o rival conservador efectuou “golpes rudes e depois assumiu-se como vítima”. Royal diz que ontem “foi capaz de responder a vários assuntos e não efectuou nenhum ataque pessoal”.

Um dos grandes objectivos dos candidatos é conquistar os quase sete milhões de franceses que votaram em François Bayrou na primeira volta. Sem precisar um apoio a Royal, o líder centrista disse hoje que não votará em Sarkozy.