Última hora

Última hora

Dr. No diz sim à Paz

Em leitura:

Dr. No diz sim à Paz

Tamanho do texto Aa Aa

Ian Paisley, o unionista radical irlandês conhecido por Dr. No, foi mesmo condenado à paz que, há nove anos e meio recusava a “pés juntos”. O reverendo foi um dos maiores adversários do Acordo de Sexta-Feira Santa que estabeleceu a criação de um parlamento regional bicéfalo.

A história da carreira política de Paisley está intimamente ligada à da Irlanda do Norte. Ele evidenciou-se depois das manifestações pacifistas dos católicos pela igualdade dos direitos cívicos, quando a província entrou em ebulição e o exército britânico interveio.

Paisley repetia, alto e bom som, que a região era parte da Grã Bretanha, recusava a negociação, liderava a oposição. Dizia que se o governo não ia governar era preciso deixá-lo partir.

Em 1973, o primeiro passo para a resolução do conflito foi dado com o acordo de Sunningdale, que já previa uma grande autonomia para o Ulster – que, à letra, significa província do Reino Unido. Mas dava-lhe um parlamento, um governo regional. Só que a intransigência entre as duas partes fez abortar o projecto. Entre os unionistas radicais, Paisley liderava os protestos.

12 anos mais tarde proferia outro “não” em Hillsborough que previa um direito de vigilância da república da Irlanda sobre a Irlanda do Norte. Os unionistas, que preferiam não ter nenhuma autonomia, ficaram furiosos e rejeitaram o acordo.

Paisley, que desprezava Margareth Tatcher, signatária do acordo, gritava alto e bom som: “Somos parte da grande família britânica e nem Dublin nem o IRA nos tirarão isso!”

Extremista e radical, tanto nas convicções como nas atitudes, o homem que disse que João Paulo II era o anti-Cristo e Tatcher uma Jezabel foi tirado à força da assembleia da Irlanda do Norte quando ela foi dissolvida por Londres depois dos acordos estabelecidos.

Ian Paisley tem 81 anos. Foi deputado europeu entre 1979 e 99. Não concorreu às eleições do Parlamento Europeu em 2004 devido à idade avançada o que agora parece ter deixado de pesar como argumento para ser primeiro-ministro na Irlanda do Norte.