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Campos de refugiados no Líbano

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Campos de refugiados no Líbano

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Ein Al-Hilweh é o maior campo de refugiados do Líbano. Uma pequena cidade de 45 mil habitantes, sem infraestrutas, superpovoada, com 60 anos de existência. Há outros 12 no país, onde os cidadãos palestinianos equivalem a 10 por cento da população mas não são reconhecidos como tal. São cidadãos de segunda, sem direitos civivis ou sociais.

A ONU considera que os refugiados são aqueles que viviam na Palestina entre Junho de 1946 e Maio de 48 e foram expulsos das suas casas, perdendo o meio de subsistência, devido ao conflito israelo-árabe.A definição dá cobertura aos descendentes destes exilados à força que estão espalhados pelo mundo: em 1950 eram 914 mil, em 2005 eram quase quatro milhões e meio.

A elevada demografia é, aliás, um dos mais graves problemas dos ajuntamentos palestinianos. O Líbano tem campos palestinianos erguidos de norte a sul. Alguns, muito pequenos, como Mar Elias com 1411 residentes. E outros imensos, como Ein El-Hilweh ou Nahr el Bared com 31 023 refugiados. Ao todo, vivem no Líbano cerca de 395 mil refugiados, dos quais quase 225 mil nestes campos.

Em 1982, a invasão israelita e a partida forçada da Organização de Libertação da Palestina, OLP, de Yasser Arafat, marcou a vida dos refugiados para sempre. 65 por cento tinham trabalho graças à organização, que financiava também as estruturas sanitárias e educativas. A partir de então, passaram a depender da ONU.

Dias depois da partida da OLP do Líbano, o mundo acorda para a realidade quando são divulgadas as imagens dos massacres nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, perto de Beirute. Entre 700 e 3500 palestinianos são assassinados. A seguir, os campos mergulham no esquecimento. Ninguém quer saber do quotidiano naqueles formigueiros de betão e lata, de emaranhados de fios eléctricos onde só as mulheres com véu islâmico podem servir-se de água nas cisternas. No maior campo, há dois centros médicos para 600 doentes por dia e nove escolas para 7544 crianças.

A taxa de desemprego é de 70 por cento. Os refugiados não podem exercer arquitectura legalmente, por exemplo. Não podem levar materiais de construção para os campos, mas levam. Os prédios atingem os cinco andares como “Torres de Pisa” precárias, insalubres e perigosas.