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Constituição no centro das atenções

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Constituição no centro das atenções

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Nicolas Sarkozy já está a conseguir um primeiro triunfo, ao colocar definitivamente a questão constitucional, na agenda europeia. Até hoje não foi muito explícito sobre o conteúdo, mas diz claramente que quer um tratado mais sintético, para substituir a prolixa proposta de 448 artigos, chumbada por franceses e holandeses.

Quer conseguir, especialmente, uma reforma das instituições, num documento de menores dimensões. Proposta que pode agradar, entre outros, à Alemanha, como defende Daniel Gross, do Centro de Estudos Políticos Europeus, de Bruxelas. “É provável que haja um movimento na frente constitutionnal, porque Sarkozy quer ter sucesso e a maneira mais fácil de ter sucesso, no plano europeu, é dar à Alemanha qualquer coisa, por um exemplo, um mini-tratado com que Gordon Brown possa viver também.

Aqui está a provável chave do problema: colocar Paris, Berlin e Londres em sintonia absoluta. E o primeiro aliado de Sarkozy pode ser a chanceler alemã. No recente encontro de ambos, a reciprocidade de elogios ultrapassou a mera troca de amabilidades.

Pela frente, no entanto, estão muitos obstáculos. É isso que diz o europdeputado francês da UMP, Jacques Toubon. “Partimos, aparentemente, segundo os jornais, de posições extremamente divergentes e estou persuadido que nós, homens e mulheres políticos, temos de trabalhar para conseguir a capacidade de chegar a acordo, mais rapidamente que aqueles nos precederam”.

Também Sarkozy diz que tem pressa. A grande incógnita pode vir de Londres.Dentro de um mês, Blair abandona os comandos. Para o seu lugar vai Gordon Brown. Richard Corbett, eurodeputado trabalhista, acredita que, apesar das diferenças, o consenso é possível. “Gordon Brown e Sarkozy podem ter diferenças, veremos. Mas a questão crucial na Europa é podermos trabalhar juntos, mesmo se existem perspectivas diferentes e pontos de vista diferentes. Isso foi difícil com Chirac, cujo ponto de vista tendeu sempre a mudar de um ano para o outro, em assuntos diferentes. Mesmo quando eram pontos de vista radicais. Talvez agora seja mais fácil com Sarkozy.”

Brown tem um passado sindicalista e é geralmente considerado o chefe da ala laborista do Partido Trabalhista. Outros acreditam na surpresa e dizem que ele se vai revelar tão liberal como Blair, tão eurocéptico quanto o seu antecessor. E aqui se recorda que foi Brown o paladino da libra, contra o euro.

Blair quer fazer dele um continuador da sua próproia política e já veio garantir que, em matéria de política europeia, Londres não mexerá um milímetro. Resta saber, quem vai conversar com Sarkozy: o Gordon Brown trabalhista, ou o liberal?