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China defende interesses no Sudão

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China defende interesses no Sudão

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Nações Unidas e União Africana preparam-se para enviar uma força internacional de 20 mil soldados para o Darfur. Ainda sem data de chegada, e apesar das reservas do Sudão, a força foi já aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.
O país mal tinha saído de uma guerra civil entre o governo e os rebeldes do sul, quando o conflito volta a eclodir, em 2003, na região oeste, Darfur. Conflito apresentado como étnico, entre as populações árabes com tradições nómadas e as tribos africanas, mais sedentárias e não árabes.Na altura, grupos africanos pegaram em armas contra a minoria governamental árabe e muçulmana.
As forças rebeldes saídas das tribos africanas e representadas pelos movimentos SLA e JEM afirmam ter como objectivo o estabelecimento de um governo sudanês democrático e abolir este, que continua a ser árabe e muçulmano.
Do outro lado estão as milicias Janjawid, árabes, apoiadas pelo governo – que nega, mas fornece armas e assistência logística.
Os analistas ocidentais consideram que o presidente Al Bachir, que é o alvo dos Estados Unidos, quer dividir para reinar.
Por trás de toda a ambiguidade, escondem-se interesses que nada têm a ver com a ajuda humanitária. O Sudão é rico em petróleo. E a China é quem tem aproveitado mais este maná. Metade do petróleo sudanês já lhe pertence, um crime de lesa-hegemonia americana! E Cartum é o segundo parceiro comercial de Pequim em África.
Assim, compreende-se melhor a oposição da China a mais sanções.
O representante especial da China para o conflito de Darfur, Liu Guijin, assegurou numa entrevista colectiva no Sudão, que as possíveis sanções americanas contra o Sudão ou qualquer outra medida de força contra Cartum “só produziriam mais deslocados e novas violações de direitos humanos”.
Por outro lado, assegurou que os investimentos que nações como a China realizam no país africano “ajudarão a pôr fim ao conflito”, pois contribuem para o desenvolvimento económico sudanês. E lembrou que também as petrolíferas europeias, como a francesa Total, estão interessadas em investir no Sudão.
Completamente esquecidos dos jogos de interesses económicos e apanhados pelas lutas fraticidas estão os civis: há dois milhões de refugiados em campos no Sudão e no vizinho Chade, o que, segundo a ONU, constitui uma das piores tragédias humanitárias deste século.