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Charles Taylor: o percurso de um senhor de guerra que chegou a presidente

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Charles Taylor: o percurso de um senhor de guerra que chegou a presidente

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Em Março de 2006 terminava a impunidade de Charles Taylor. Para trás ficavam três anos de exílio dourado na Nigéria, depois da avidez pelo poder e riqueza o terem levado a destabilizar a África Ocidental e a transformar-se num dos piores senhores da guerra.

Nascido em 1948, num bairro burguês de Monróvia, Charles Taylor ganhou a reputação de senhor da guerra a partir de 1989, quando, após inúmeras aventuras, regressa à Libéria para desencadear uma guerra civil atroz, onde se recrutam crianças envolvidas em mutilações, violações e actos de canibalismo.

Apesar de tudo, em 1997 consegue ser eleito presidente. Mantém-se no poder até 2003, acabando por ceder a cinco anos de revolta. No mesmo ano, foi acusado pelo seu envolvimento na guerra civil na Serra Leoa.

Entre 1991 e 2001, terá ajudado os rebeldes com quem traficava armas e diamantes. No terreno, o mesmo cenário que na Libéria: massacres, violações, execuções e mutilações. Afhaji Jufm Jarka é o presidente da organização das vítimas civis da guerra na Serra Leoa e sofreu na pele o conflito. Hoje acusa directamente Charles Taylor de ter instigado a guerra para servir os seus interesses em busca de riqueza.

Na Libéria, 14 anos de guerra civil fizeram 300 mil mortos. Na Serra Leoa foram 120 mil mortos e milhares de deslocados. Muitos, ainda hoje, recusam testemunhar com medo de represálias dos apoiantes de Charles Taylor.