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Desunião nacional palestiniana

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Desunião nacional palestiniana

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Meca. Depois de um ano de violência e mais de uma centena de mortos, o Hamas e o Fatah comprometeram- se a partilhar o poder num acordo assinado em Fevereiro.
Ladeando o Rei saudita, Mahmoud Abbas, em mome do Fatah e Khaled Mashaal, em nome do Hamas, dão a sua palavra.

A formação de um governo de unidade nacional, com a participação do Hamas, pela primeira vez, trouxe a esperança. O cerco ocidental, imposto um ano antes, aligeira-se.

O novo ministro do Interior, Hani Qwasmi, anuncia uma era de reconciliação nacional e de concórdia entre as facções palestinianas…mas o optimismo só durou dois meses: a 14 de Maio admitiu ser incapaz de pôr fim aos confrontos, cada vez mais intensos.

No dia 19 de Maio, a coluna do chefe dos serviços de informação do presidente Abbas foi atacado alguns minutos depois da assinatura do acordo de cessar-fogo entre o Hamas e o Fatah. Era o 50° cessar-fogo desde o início dos confrontos. Em oito dias, apenas, fizeram 50 mortos.

A partir daí, a situação foi piorando cada vez mais. O ministro da Justiça, Ali al-Sartawi, do Hamas, está muito céptico em relação a tudo… não que se esteja à beira da guerra civil… ele considera que já se está em guerra civil!

A anarquia em termos de segurança em Gaza é mais perigosa do que em relação a toda a ocupação israelita.

Num ano foram mortos 630 palestinianos em Gaza nestes confrontos. Violências que não poupam sequer os hospitais.

Uma palestiniana em lágrimas queixa-se de que o irmão foi baleado mortalmente quando estava no interior do hospital.

Cegos pela dor e pela cólera, os palestinianos viram-se contra os dirigentes, tanto do Fatah como do Hamas.

Chamam-lhes traidores e mercadores de sangue…como este jovem…“tudo o que fazem é pelo poder”.

A causa palestiniana foi sacrificada nestas lutas fraticidas pelo governo. Os que podem, fogem, por Rafah, para o Egipto. Preferem ser refugiados vivos do que palestinianos mortos.