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A experiência de refugiado contada na primeira pessoa

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A experiência de refugiado contada na primeira pessoa

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“Sou um homem pacífico. Apenas quero cuidar da minha mulher, porque é que me tratam tão mal?”, queixa-se um palestiniano.

“Desejava que pudesse ir comigo, só depois é que compreenderá que lá não existe paz como aqui”, diz um afegão.

“Gostaria de morrer num local decente, aqui apenas consigo água, mas o que preciso é paz e estabilidade”, pede um somali.

“É difícil construir casa, formar família e depois abandonar tudo. Gostaria de os convencer a deixarem-nos viver em paz”, explica uma iraquiana.

Quer sejam palestinianos, iraquianos, somalis ou afegãos todos têm em comum o sofrimento de terem sido obrigados a fugir à violência, perseguição ou intolerância e são cada vez mais.
Pela primeira vez em cinco anos assistiu-se a um aumento do número de refugiados no mundo, em parte, devido à situação no Iraque.

Segundo o UNHCR (o Alto comissariado da ONU para os Refugiados), há actualmente dez milhões de refugiados, um número recorde, aos quais se somam 4,3 milhões de palestinianos, registados pela Agência da ONU para o apoio aos refugiados da Palestina no Médio-Oriente (UNWRA). No total são mais de 14 milhões. Os afegãos continuam a ser o grupo mais numeroso, seguido dos iraquianos, soudaneses, somalis, congoleses e burundis.

Aos refugiados juntam-se 24,5 milhões de deslocados no interior dos países e 5,8 milhões de apátridas. Os que não têm nacionalidade e, por vezes, qualquer existência oficial mais do que duplicaram em 2006.

Os afegãos formam o principal grupo de refugiados. São mais de dois milhões acolhidos em 71 países. Alguns nasceram já nos campos no vizinho Paquistão, depois da família ter fugido em 1979, mas, tal como os outros, esperam ainda hoje que a paz permita o regresso.

No Quénia, são os somalis que esperam o fim da guerra civil.

A questão dos refugiados afecta duramente a África, embora este ano as acções de repatriamento voluntário na Libéria, Angola, Sul do Sudão ou República Democrática do Congo tenham feito baixar as estatísticas de 31% na África Ocidental e de 18% na parte Austral.

No Médio Oriente a situação mata qualquer tipo de esperança. Quatro milhões e 300 mil palestinianos vivem refugiados nos países árabes da região e a cada dia que passa a guerra civil leva à fuga de mais pessoas.