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Polónia: Gémeos Kaczynski no centro de difíceis negociações em Bruxelas

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Polónia: Gémeos Kaczynski no centro de difíceis negociações em Bruxelas

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Apesar dos sorrisos, a Polónia complicou a tarefa da Alemanha na presidência da União Europeia. As relações históricas vieram à superfície e Varsóvia acaba para impor a sua vontade usando o facto das decisões nas cimeiras terem de ser aprovadas por unanimidade. Os gémeos polacos ameaçavam fazer fracassar uma nova reunião e os dirigentes europeus criticam a forma como o fazem.

Jo Leinen, eurodeputado e chefe da comissão para o Tratado Europeu, acha estranho, pois “parece que quem tem o poder de decisão é Jaroslaw (primeiro-ministro) e não Lech (presidente). É algo de novo. Alguém que não tem poder para decidir vem à cimeira, sem um mandato completo, e tem de telefonar para casa para contar o que se passa e pedir autorização”.

Depois de ter há semanas ter bloqueado um acordo entre Bruxelas e Moscovo, face ao embargo russo à carne polaca, Varsóvia recorreu agora à história para defender a sua posição.

Tal como o irmão presidente, o primeiro-ministro polaco, Jaroslaw Kaczynski, afirmou que sem a Segunda Guerra Mundial e os crimes nazis, a Polónia teria agora 66 milhões de habitantes, em vez dos actuais 38 milhões, e poderia ter quase o mesmo poder decisional que a Alemanha.

Mas o argumento provocou um coro de reacções europeias, algumas muito críticas.

Mesmo um veterano polaco da Segunda Guerra Mundial defende que hoje a Polónia não pode recorrer ao passado, que o conflito é outro, que o mundo está diferente e que, após o sofrimento, é preciso recomeçar uma nova vida.

Antes da reunião em Bruxelas, os gémeos Kaczynski afirmavam estar “prontos a morrer” pela alteração do sistema de voto, mostrando uma outra face. Os pequenos que em 1962 interpretavam “Os dois que roubavam a Lua”, um dos filmes de culto da Polónia, são agora conhecidos nos corredores como a dupla pesadelo de cada reunião europeia.