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Darfur: "o silêncio mata"

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Darfur: "o silêncio mata"

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Em crise desde 2003, o Darfur está na origem da mais grave crise humanitária do mundo actual. O governo sudanês recusa dar a independência a um território do tamanho da França. A nível internacional, esforça-se por catalogar como étnico-religioso um conflito do qual surgem cada vez mais provas de ser fomentado pelo governo de Cartum. O ex-presidente da ONG “Médicos Sem Fronteiras” considera que para resolver o conflito vai ser preciso investir mais do que o esforço da Conferência de Paris ou de Sarkozy… “são os sudaneses que têm de resolver isto”, afirma Rony Brauman. “A comunidade internacional apenas pode ajudar os beligerantes a juntarem-se para discutir. A ideia é pressioná-los a chegar a um acordo de paz, e um acordo de paz nunca se pode impor”.

Nesta região de 500 mil km2, particularmente desértica, vivem populações árabes com tradições nómadas donde saíram os temíveis janjawids que massacram os aldeãos, incendeiam casas e matam o gado com o apoio dos helicópteros do governo sudanês – o que Cartum nega.

As tribos africanas sedentárias e não árabes estão a organizar uma resistência, , o SLA, mal armada e treinada, mas com voluntários motivados por elevados índices de mortalidade nas famílias. Querem estabelecer um Sudão livre e democrático.

A água, a terra e, principalmente, o petróleo fazem do Sudão uma potência cobiçada – em 2005, produziu 400 mil barris por dia, o que não desagrada aos americanos e que os chineses têm aproveitado. 6 por cento do consumo chinês é alimentado pelo Sudão.

Para restringir a faculdade de Cartum para financiar continuamente matanças, bombardeamentos e limpezas étnicas, o Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá introduzir um fundo de investimento petrolífero de obrigações como propõe a Aegis Trust e a Human Rights Watch.

O conflito já matou 200 mil pessoas, desde 2003, e fez dois milhões e meio de deslocados de guerra que sobrevivem em condições em condições de precariedade absoluta.