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Receio entre aborígenes australianos

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Receio entre aborígenes australianos

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Os aborígenes australianos temem voltar a perder os filhos, após o Governo ter anunciado novas medidas para combater o abuso sexual de menores nestas comunidades. Este anúncio sucedeu a divulgação de mais um relatório que denuncia a multiplicação dos abusos no Território do Norte.

“Nós consideramos isto como uma emergência nacional”, disse o primeiro-ministro da Austrália, John Howard, que mandou reforçar o contingente policial e o envio de tropas para as comunidades do território do Norte. Outras medidas prevêem a realização de exames médicos às crianças e a proibição do álcool. É que, de acordo com o relatório, o alcoolismo, o desemprego e a pobreza são alguns dos factores que explicam o abuso sexual de menores nestas comunidades. “Este Governo está a usar o abuso sexual de crianças como um cavalo de tróia para controlar totalmente as nossas terras”, acusa Pat Turner, representante de 13 grupos comunitários da Austrália Central.

A contestação não se fica por aqui. Há mais vozes que se juntam a este coro de protestos. É o caso da aborígene Vanessa Donawan: “Nós não teremos nenhuns direitos. Se as crianças forem examinadas por médicos, vão nos ser retiradas”. “Eu temo que haja outro caso de ‘Geração Roubada’ de crianças, pois elas vão ser retiradas aos pais, aos avós e aos tios”, acrescenta Barbara Swan, também aborígene.

Geração Roubada foi o nome dado à retirada forçada das crianças aborígenes das comunidades a que pertenciam, para serem criadas em famílias brancas. Esta política fracassada esteve em prática durante décadas, tendo apenas terminado no final dos anos 60.