Última hora

Última hora

Liberalização energética: o caso específico da França

Em leitura:

Liberalização energética: o caso específico da França

Tamanho do texto Aa Aa

A liberalização do mercado do gás e da electricidade tem, em França, contornos particulares. Os consumidores franceses estão habituados a um sistema de preços regulados pelo Estado, que impede aumentos superiores ao da inflação, independentemente do custo de produção da energia.

A partir de domingo, os consumidores podem optar entre uma dezena de fornecedores, que vendem ao preço de mercado, mas para Daniel Fougeron, militante do colectivo Attac, os riscos são elevados: “Se optar pelo preço de mercado, este está sujeito aos altos e baixos da bolsa de electricidade, da energia, etc… O que quer dizer que o fornecedor de electricidade, por ‘n’ razões, pode decidir aumentar os preços.”

O mercado francês da electricidade abastece-se, sobretudo, nas suas centrais nucleares. Tanto em França como noutros países, muitos criticam a ausência de opções reais. Desde que a liberalização entrou em vigor, inicialmente só para os clientes empresariais, as grandes empresas fundiram, criando verdadeiros oligopólios que Bruxelas vigia de perto.

A verdadeira liberalização não é possível, já que não existe um verdadeiro mercado europeu da energia, considera o eurodeputado Alejo Vidal: “Se queremos um mercado energético europeu, com uma liberalização total e uma livre concorrência, então todos os Estados membros devem respeitar regras comuns.”

Domique Forest, da união europeia de associações de consumidores, estima que a liberalização anunciada, na prática, não existe e que até pode sair cara ao consumidor: “A liberalização em curso fica-se pela metade. É preciso que os consumidores tenham uma informação transparente, comparável, e que possam mudar de fornecedor sem custos excessivos. É preciso uma situação na qual a concorrência entre os operadores possa realmente desenvolver-se, isto é, uma estrutura de mercado onde os operadores possam propor ofertas vantajosas para os consumidores.”

Actualmente, os preços são mais baixos nos países que dependem menos das energias não fósseis, como a nuclear. É o caso da França. Noutros países, como a República Checa, a concorrência não funcionou como esperado e, desde o ano passado, os preços duplicaram. Certos analistas estimam que as facturas baixariam se o mercado estivesse realmente aberto aos pequenos e médios fornecedores.