Última hora

Última hora

Missão: Capturar e julgar os criminosos de guerra da ex-Jugoslávia

Em leitura:

Missão: Capturar e julgar os criminosos de guerra da ex-Jugoslávia

Tamanho do texto Aa Aa

Carla del Ponte deixará em breve o cargo que assumiu de procuradora Geral do Tribunal Penal lnternacional para a ex-Jugoslávia. O mandato termina em Setembro, mas poderá ser prolongado até ao final do ano. Também o mandato do Tribunal no seu todo pode vir a ser ampliado caso as suas principais tarefas não forem cumpridas. Como o julgamento de Milosevic que ficou por concluir e Karadzic e Mladic que ainda não foram capturados. Numa entrevista concedida a Euronews, Carla del Ponte explica os seus objectivos para o futuro.

EURONEWS: Encara a morte de Milosevic como uma derrota profissional?

CARLA DEL PONTE: Porquê? Uma morte natural é uma coisa perfeitamente normal que pode acontecer. Infelizmente Milosevic morreu dois meses antes do final do seu julgamento. Mas já realizámos muitos outros, o Tribunal acusou 161 suspeitos e mais de 50 foram condenados e sentenciados, dos quais 17 apelaram. No final acredito que fomos capazes de investigar e levar a tribunal os principais responsáveis pelos crimes cometidos na ex-Jugoslávia durante o conflito -… crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídios… E isso é muito importante.

EURONEWS: A Sérvia e a União Europeia reiniciaram as negociações a 13 de Junho. Significa isto que a comunidade internacional e a senhora têm um forte sinal para uma detenção, em breve, de Karadzic e Mladic?

CARLA DEL PONTE: Do que estou segura é da intenção do novo governo que demonstra uma real vontade política para conseguir a captura dos restantes fugitivos. E, depois de algumas semanas foram entregues dois – Zdravko Tolimir e Vlastimir Djordjevic. Por isso penso que agora finalmente existe uma vontade de entregar os restantes fugitivos.

EURONEWS: Imagine que Belgrado não captura Karadzic e Mladic tão cedo como o desejaria. Neste caso, pensa que a União Europeia deveria cessar de novo as negociações?

CARLA DEL PONTE: É preciso fazer pressão política, nós precisamos do apoio político da União Europeia para conseguir a prisão dos fugitivos. Ainda no outro dia o comissário Oli Rehn disse que antes da Sérvia poder ser admitida como candidata à União Europeia, tem de cooperar completamente connosco. Noutras palavras, a Sérvia deve entregar todos os fugitivos antes de poder seguir o seu caminho para a União Europeia.

EURONEWS: Qual é a sua opinião sobre as propostas feitas acerca do futuro estatuto do Kosovo: Será que a concretização destas pode representar um obstáculo na cooperação da Sérvia com o Tribunal?

CARLA DEL PONTE: Espero que não. Espero realmente que não. O meu objectivo é conseguir os meus fugitivos. Claro que preferia não ter outros obstáculos, preferia que o governo da Sérvia mantivesse a sua atitude de boa vontade no que respeita a transferir os fugitivos.

EURONEWS: A falta de iniciativa por parte dos capacetes azuis holandeses criou condições para o massacre de Sbrenica. Não acha que a lei internacional também se devia aplicar aos holandeses?

CARLA DEL PONTE: Não, eu sou a procuradora-geral responsável pela comissão de crimes cometidos durante o conflito. Eu encarrego-me de investigar responsabilidades morais ou políticas, e não a prevenção de crimes. Os crimes têm de ser cometidos antes, só assim é que eu tenho jurisdição para os investigar.

EURONEWS: De todos os casos em que já trabalhou, qual deles foi o mais importante para si desde um ponto de vista pessoal?

CARLA DEL PONTE: O grande feito deste tribunal é que permite julgar os responsáveis máximos dos crimes cometidos na ex-Jugoslávia. Os responsáveis militares, e também os responsáveis políticos, aqueles que não executaram os crimes mas que os planearam sentados nas suas secretárias. Esse é o grande feito, porque depois de Nuremberga e Tóquio não voltou a existir um tribunal igual. Não sei o que vou fazer depois de tudo isto terminar. Estou tão ocupada que ainda não tive tempo para pensar, mas tudo dependerá do meu Governo, o Governo da Suiça, que… como todos sabem,… tenho um compromisso com o Ministério da Justiça suiço.