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Classe médica implicada em atentados falhados

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Classe médica implicada em atentados falhados

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A imprensa britânica destacou em uníssono nas manchetes: médicos no centro da conspiração terrorista da Al Qaida. A maioria dos suspeitos são profissionais empregados pelo NHS, o serviço de saúde pública britânico, e chegaram ao país de forma perfeitamente legal.

No sábado, às 15 horas e 15 minutos e sob o olhar incrédulo dos viajantes, um jipe choca contra o terminal do aeroporto de Glasgow. Da viatura em chamas saem dois homens, rapidamente detidos pela polícia.

Um deles é o doutor Bilal Abdullah, um iraquiano licenciado em Bagdade em 2004 que trabalhava no Hospital Royal Alexandra, em Paisley, nos arredores de Glasgow. O mesmo hospital para onde foi levado o outro autor do atentado, que apresenta queimaduras graves.

No mesmo dia, pouco depois das 21 horas, um homem e uma mulher são detidos na autoestrada M6, a caminho do norte de Inglaterra. Estas detenções estão ligadas aos atentados falhados.

Na segunda-feira é revelada a identidade do casal. Mohammed Jamil Asha é um cirurgião de 26 anos e a esposa, Marwah Dana Asha, de 27 anos, trabalhou como técnica de laboratório no hospital de Shrewsbury. São jordanos de origem palestiniana, empregados pelo serviço de saúde britânico. Casados em 2004 na Jordânia, chegaram um ano depois ao Reino Unido e têm um filho de dois anos e meio.

No Hospital Universitário de North Staffordshire, onde trabalhava Mohammed Asha, as reacções são de choque. O pai de um paciente fala num “sistema de crenças” em contradição: “Ele deve ser bastante impulsivo acerca daquilo em que acredita, para numa semana tentar salvar vidas e curar pessoas e, na semana seguinte, tentar fazê-las explodir e colocá-las novamente no hospital onde trabalha.”

Em Amã, o pai do doutor Asha defende que o filho não pode estar envolvido numa conspiração para cometer ataques terroristas: “Tenho a certeza que não tem qualquer ligação dessa natureza, porque o passado dele na Jordânia e desde que nasceu não inclui qualquer tipo de actividade dessa natureza”.

No entanto, responsáveis jordanos no anonimato apontaram-no como o possível cérebro por trás dos atentados falhados de Londres e Glasgow.