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Ramón Calderón: "Não há possibilidade de contratar Kaká"

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Ramón Calderón: "Não há possibilidade de contratar Kaká"

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No primeiro ano na presidência do Real Madrid, Ramón Calderón alcançou algo que o clube já não conseguia há 40 anos: conquistar as ligas nacionais de futebol e basquetebol e ainda a Euroliga de basquetebol. Um sucesso desportivo que, no futebol, não evitou a saída de Fabio Capello. Numa entrevista exclusiva à EuroNews, o presidente do Real Madrid faz o balanço do primeiro ano de mandato e aponta o rumo para o futuro.

EuroNews: Foi um primeiro ano de presidência difícil. Começou com a polémica dos votos por correio e os resultados que não batiam certo. Mas no final terminou com títulos em diferentes modalidades incluindo a Liga de Futebol, algo que não acontecia há 3 anos. Que balanço faz da temporada?

Ramón Calderón: Do ponto de vista desportivo, foi uma temporada magnífica. Ganhar os títulos das ligas de futebol e basquetebol e ainda a Euroliga de Basquetebol é algo que não conseguíamos há quase 40 anos e a dobradinha futebol/basquetebol já não acontecia há 21, por isso foi um exito. É verdade que começamos por vacilar, mas é lógico, é futebol. Havia um novo treinador, oito jogadores novos, um novo sistema, levávamos 3 anos sem ganhar um título. Isso tornava a aventura difícil, mas no final tivemos êxito e para as hostes madrilenas foi um motivo de satisfação.

EN: Vamos concentrar-nos no futebol: um título muito esperado mas que não evitou a saída do treinador. O clube prescindiu de Fabio Capello e orientou-se para Bernd Schuster. Vamos por partes. Porque é que o clube decidiu dispensar Capello depois de conquistar a Liga?

RC: Porque este clube procura sempre a excelência e é verdade que ganhamos um título, mas também é verdade que os adeptos não estavam satisfeitos com a forma de jogar. Por isso decidimos mudar. E o bom momento era no fim da época. Agradecemos muito ao Fabio Capello o trabalho que fez. Mas aqui procuramos sempre algo mais, melhorar sempre, e tínhamos que fazer com que a equipa jogasse como as pessoas gostam. Houve uma espécie de insatisfação popular que tivemos de suportar durante toda a temporada. A mim não me parecia bem trocar de treinador durante a época. Havia que esperar. Fizemo-lo agora e esperamos ter acertado.

EN: Que pode trazer Schuster à equipa que Capello não trouxe?

RC: O Schuster ainda não é oficialmente o treinador do Real Madrid. É um dos técnicos que encaixa naquilo que procuramos para este clube. Uma equipa que jogue de forma ofensiva e seja alegre, sobretudo no Bernabéu. Um jogo de ataque. Procuramos esse perfil de treinador, que dê à equipa essa forma de jogar.

EN: Chega o verão, os jogadores descansam, mas continua-se a trabalhar para contratar reforços. Há vários nomes apontados para o Real Madrid. Um deles é o de Kaká, de quem se fala praticamente desde que chegou à presidência. É uma contratação possível ou não passa de um sonho?

RC: Agora é muito difícil. Os responsáveis do Milão disseram que não vão vender o jogador e portanto não há possibilidade de o contratar. Outra questão seria se o jogador manifestasse vontade de sair. Aí ficaríamos encantados se viesse para o Real Madrid. É uma decisão que o jogador tem de tomar e, claro está, tem de ser aceite pelo clube.

EN: Um outro nome que surge muitas vezes é o de Arjen Robben, o extremo do Chelsea. Ainda estão interessados nele?

RC: Sim, Há negociações com o Chelsea. Estes dias são de trabalho e de negociações com os possíveis reforços. É preciso esperar.

EN: Continuam a trabalhar tal como outras equipa o fazem de forma rápida. O Barcelona apresentou jogadores do gabarito de Henry, Touré ou Abidal; o Bayern de Munique também se reforçou muito; o Manchester United optou por jogadores de futuro. Toda a gente está à espera do Real Madrid. Como vê o facto das outra equipas já terem começado a reforçar-se?

RC: É normal e lógico. Eles têm de reforçar-se tal como nós o vamos fazer. Logicamente estão a faze-lo de forma mais intensa porque o Real Madrid é o campeão. São eles que têm de destronar-nos e entraram em renovação dos planteis e nós só temos que consolidar o nosso.

EN: Vamos falar do G-14 e dos problemas que tem com a UEFA. Até que ponto os interesses divergentes dos grandes clubes da Europa e os da UEFA, que rege o futebol europeu, são um problema?

RC: Temos de tentar ter uma boa relação. Se o G-14 continuar a existir tem de ser com o reconhecimento expresso da UEFA e da FIFA. Senão a sua continuidade será difícil.

EN: Acredita na necessidade da existência de um organismo externo aos clubes para regular o futebol europeu?

RC: É uma questão que temos de tratar no seio da UEFA e da FIFA. Isso seria o ideal. Dessa forma a família não se divorciava. A família do futebol tem de estar unida e tem de fazer com que os interesses de todos sejam defendidos da mesma maneira. Não me parece bom um confronto. Não creio que ajude em nada o futebol.

EN: Uma superliga europeia com clubes como Real Madrid, Manchester United ou Milão, seria possível fora da UEFA?

RC: Não creio. Parece-me que essa superliga já existe e é a Liga dos Campeões. Tem um enorme êxito económico, de público e audiências televisivas. Julgo que há que continuar a potenciar essa competição. O Real Madrid estaria contra fazer algo como o que disse fora da UEFA.

EN: Permita-me perguntar-lhe agora pela FIFA e a sua relação com os grandes clubes. Toda a gente conhece os problemas dos calendários apertados por causa dos jogos internacionais, dos jogadores que regressam lesionados e houve clubes que apresentaram mesmo queixa. Como pensa que se deve gerir esse tipo de problemas?

RC: Está-se a trabalhar nesse sentido para conseguir que nesses casos os clubes recebam a compensação adequada. A FIFA trabalha para que isso seja assim e já anunciou que vai fazer um seguro para cobrir as lesões que os jogadores possam ter. A FIFA está a trabalhar muito bem nesse sentido. Nós estamos muito contentes. O senhor Blater tem sido, e está a ser, um homem que muito trás ao mudo futebol. Neste aspecto estamos seguros que a solução será muito boa para todos. Para todos os clubes e para o mundo do futebol em geral.

EN: Para terminar um prognóstico: Será o Real, o vencedor da próxima Liga dos Campeões?

RC: Oxalá. Seria a muito esperada décima taça da Europa que os adeptos querem ver nas vitrinas do Real Madrid. Nós vamos fazer todos os possíveis para que a equipa se forme de tal maneira para ter possibilidades de consegui-lo.