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PE vota liberalização dos serviços postais

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PE vota liberalização dos serviços postais

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Em 2011, uma carta normal poderá aparecer na sua caixa do correio, através de uma empresa privada. Os eurodeputados vão votar, esta quarta-feira, um relatório sobre a liberalização da correspondência com menos de 50 gramas.

Os Correios, na Europa, empregam cinco milhões de pessoas, que não vêem a medida com bons olhos, mesmo sabendo que os eurodeputados estão dispostos a adiar, por dois anos, a liberalização que a Comissão Europeia queria que entrasse em vigor em 2009.

Alguns funcionários dos correios manifestaram-se frente ao Parlamento Europeu, na véspera do voto. São “mais dois anos para continuar e reforçar a mobilização”, diz um sindicalista. E acrescenta: “Hoje é a primeira etapa para dizer: nem em 2009, nem em 2011, nem nunca! É preciso manter um serviço público de qualidade, e para tal é preciso os meios de financiamento, e para isso é preciso manter o monopólio do correio até 50 gramas.”

As cartas até 50 gramas são o último monopólio dos Correios nacionais, que já foram obrigados a liberalizar as encomendas. Um monopólio que o relator do europarlamento, o conservador alemão Markus Ferber, estima que não funciona. “Os monopólios não têm condições para resolver os problemas dos correios na Europa. Para resolver esses problemas, precisamos de uma concorrência justa”, diz.

As três principais bancadas do Parlamento – conservadores, socialistas e centristas – já se manifestaram a favor da liberalização. Só os socialistas franceses vão votar contra. Gilles Savary explica porquê: “Corremos o risco de haver uma certa selecção. Vai haver uma grande batalha comercial, junto de grandes clientes, sobretudo nas zonas densamente povoadas, as capitais, e um abandono das zonas mais difíceis de servir, porque não interessam ninguém e porque ninguém vai responder aos concursos públicos.”

Para garantir um serviço universal, isto é, que todos os cidadãos tenham direito a receber o correio cinco dias por semana, o Parlamento prevê que, nos doze novos Estados membros e nas zonas de acesso mais difícil, como as ilhas, por exemplo, a liberalização só entre em vigor em 2013, e não em 2011.