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Oito anos de pesadelo para enfermeiras e médico búlgaros

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Oito anos de pesadelo para enfermeiras e médico búlgaros

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No total, as cinco enfermeiras búlgaras e o médico de origem palestiniana passaram 2755 dias nas prisões líbias. Kristiana, Nassia, Valia, Valentina e Snejana chegaram nos anos noventa à Líbia à procura de uma vida melhor. Achraf, o médico de origem palestiniana, realizava um estágio no hospital de Benghazi, no norte. O pesadelo começou em Fevereiro de 1999 e depressa se transformou em caso diplomático entre a Comissão Europeia e o regime de Muammar Khadafi, que procurava regressar à cena política internacional. Os seis profissionais de saúde foram detidos e acusados de contaminar quase 500 crianças com o vírus da SIDA. Cinquenta e seis morreram. Os acusados dizem ter confessado sob tortura. Foram julgados duas vezes e, por duas vezes, condenados à morte. O início do fim do caso começou no dia dez de Julho com um acordo financeiro. Dias depois, a família de cada criança infectada recebeu um cheque de um milhão de dólares. Os familiares deixaram então de reclamar a pena de morte e pouco depois a sentença foi transformada em prisão perpétua.

A extradição foi mais um passo no processo de retorno da Líbia ao seio da comunidade internacional, mesmo se não se esperam reformas internas. Segundo várias fontes, Trípoli recebeu garantias de normalização das relações e um acordo de parceria com Bruxelas, para além de fundos para recuperar o hospital de Benghazi. Ao longo dos anos, cientistas internacionais contestaram as provas, defendendo que as crianças tinha sido infectadas devido às más condições de higiene do hospital e antes da chegada dos seis profissionais. Argumentos desvalorizados pela justiça líbia e familiares das crianças infectadas.