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Vice-MNE de Marrocos: " A vizinhança com a UE não pode ser pretexto para a readmissão de todos os clandestinos"

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Vice-MNE de Marrocos: " A vizinhança com a UE não pode ser pretexto para a readmissão de todos os clandestinos"

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O acordo de associação entre a União Europeia e Marrocos vai ser reforçado por um novo estatuto. Este novo acordo abarca áreas que não estavam no antigo documento. A EuroNews falou com o vice-ministro marroquino dos negócios estrangeiros, Taïeb Fassi-Fihri, sobre assuntos importantes para Marrocos e para os Vinte e Sete, como a imigração, o controlo das fronteiras ou ainda a luta contra o terrorismo.

Sergio Cantone, EuroNews: No novo acordo entre Marrocos e a UE, que o senhor assinou, há uma cláusula que se chama estatuto avançado. Em que é que consiste?

Taïeb Fassi-Fihri, vice-MNE de Marrocos: Quero dizer que, no quadro desta associação, foram feitas muitas coisas, mas há muitas outras acções, levadas a cabo pela União e por Marrocos, que foram feitas independentemente da associação e que vão para além dela.

EN: Por exemplo ?

TFF: Marrocos é signatário do acordo « open-sky ». É o primeiro parceiro da UE a ter assinado um acordo desta amplitude… Somos parceiros também no plano tecnológico, com o Galileo. Somos ainda, entre os países do Sul, o único a ter um comité específico encarregue das questões da governação e dos direitos humanos.São essas acções, e outras que vêm aí, que queremos integrar neste quadro particular.

EN: Isso não se pode comparar à “União Mediterrânica” idealizada plo presidente francês Nicolas Sarkozy?

TFF: A União mediterrânica é um projecto extremamente importante e interessante, que tem o apoio do Reino de Marrocos. Marrocos apoia esta ideia porque ela vem enriquecer toda a estrutura que temos para geirr os assuntos euro-mediterrânicos.

EN: Quanto à questão da imigração, está prevista a readmissão de clandestinos marroquinos, mas também de não-marroquinos. Por que razão Marrocos toma uma responsabilidade destas?

TFF: Marrocos está pronto para que haja readmissões de não-marroquinos. Isto na condição de que haja provas claras da implicação de marroquinos nas redes mafiosas, ou de uma estadia legal dessas pessoas em Marrocos. A estadia tem que ter sido legal, para que Marrocos possa aceitar essa pessoa.

Mas, para nós, está fora de questão readmitir todas as pessoas que estão ilegais na Europa, só porque passaram por Marrocos, num percurso de milhares de quilómetros. O facto de Marrocos ser o vizinho mais próximo não pode ser um pretexto.

EN: Seja como for, Marrocos vai ter uma compensação, no que toca à obtenção de vistos para cidadãos marroquinos…

TFF: Não falamos de compensações. Digamos que há uma relação privilegiada entre Marrocos e a União Europeia. Naturalmente, há direitos e deveres e o essencial é procurar um ponto de equilíbrio entre os interesses de uns e de outros. Trabalhamos num contexto de parceria. Aquilo que estamos a discutir é um pedido marroquino.

EN: Marrocos foi já vítima de ataques terroristas. Sente-se na mira da Al-Qaida, sobretudo depois das ameaças anunciadas por esta organização?

TFF: As autoridades marroquinas sabem que, para fazer face a esta ameaça, a resposta tem que ser global, ligada a um certo número de factores de desenvolvimento e evolução das cidades e das necessidades sociais básicas. Falo de coisas bastante mais perigosas, porque são programadas num contexto de atentado à segurança. São acções terroristas específicas, num contexto politicamente motivado, e neste tipo de acção encontramos todas as nacionalidades.

EN: Marrocos conseguiu, juntamente com a Argélia, definir uma estratégia de luta contra o terrorismo…

TFF: Em termos de cooperação na área da segurança, essa estratégia existe e é importante, mas pode ganhar em termos de eficiência.

EN: Quando falamos da Argélia e de Marrocos, a luta contra o terrorismo, para que seja eficaz, passa por um acordo ou uma solução para o problema do Sara Ocidental?

TFF: Infelizmente, a fronteira entre Marrocos e a Argélia mantém-se fechada, por motivos que não conhcemos completamente. Lamentamos essa situação e aplelamos a uma maior cooperação com o nosso vizinho, a Argélia. Num contexto magrebino ou num contexto totalmente bilateral. Naturalmente, há a questão da integridade territorial de Marrocos e a questão do Sara Ocidental, sobre a qual temos posições totalmente divergentes. A autonomia é uma arquitectura, é algo que Marrocos submete à negociação. Estamos prontos para aprofundar, através dessa negociação, o conteúdo e os detalhes, tanto institucionais como políticos, como ao nível dos recursos naturais, se eles existem. Lembro que, até hoje, foi sempre a solidariedade do Norte em relação ao Sul que funcionou, em termos muito importantes, daí todos os progressos que foram realizados no Sul de Marrocos graças a esta solidariedade e ao investimento público e privado.