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Militares britânicos deixam caminho livre ao futuro da Irlanda do Norte

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Militares britânicos deixam caminho livre ao futuro da Irlanda do Norte

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As tropas britânicas retiram-se da Irlanda do Norte depois de 38 anos de um conflito que custou a vida a mais de 3.500 pessoas, entre as quais 760 soldados. O papel dos militares durante o conflito foi definido como de apoio à polícia da província e controlo de fronteiras na luta entre católicos e protestantes. Tempos que o exército recorda como difícieis: “Tivémos que trabalhar com muito cuidado para travar o Ira. Enfrentámos exactamente o mesmo desafio que está a enfrentar o exército no Iraque e no Afeganistão. Não era um jogo de rugby, não andámos ali à volta a apertar as mãos uns aos outros. Fizeram-se enormes sacrifícios”, afirma o general Nick Parker. Foi nos anos 70 que o contingente militar britânico atingiu o seu ponto máximo na Irlanda do Norte. Foi também nesta década que o conflito explodiu. Tudo degenerou Agosto de 1969, durante uma marcha pelos direitos civis em Londonderry. A polícia paramilitar protestante carregou violentamente sobre os católicos, cinco pessoas foram mortas e 60 ficaram feridas e, ao longo de toda a província, os católicos viram-se atacados por grupos de protestantes. O envio dos primeiros soldados foi muito bem visto, mas aquele que ficou conhecido como o “domingo sangrento” de 30 de Janeiro de 1972 mudou a imagem dos militares. Os soldados abririam fogo sobre manifestantes em Londonderry e 13 pessoas foram mortas. Mais tarde, o tenente coronel que, na época, comandava as tropas no Ulsterfala de retenção: “As minhas tropas fizeram o que estavam treinadas para fazer e o que eu esperava que elas fizessem. Mas se tivessem investido fortemente, teríamos tido muito mais de 13 mortos”. O IRA exerce a sua vingança em Julho do mesmo ano naquilo que ficou conhecido como um dos momentos mais negros da história da Irlanda do Norte. A sexta-feira sangrenta em que mais de 20 bombas explodiram na cidade de Belfast. Foram precisos 35 para que um acordo entre católicos e protestantes permitisse a retirada dos soldados britânicos. Segundo o general Mike Jackson “Não é uma retirada militar à moda antiga. Aquilo a que chegámos foi a uma retirada política.” Uma retirada política que começou já a desenhar-se em 2005 e se concretiza três meses depois de ter sido restaurada a assembleia parlamentar da Irlanda do Norte. Está aberto o caminho para que católicos e protestantes evoluam lado a lado na província de forma a que as datas sangrentas das últimas quatro décadas tenham espaço apenas nas páginas da História.