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Transferência de primeiro líder dos Khmers Vermelhos para julgamento no Tribunal Internacional

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Transferência de primeiro líder dos Khmers Vermelhos para julgamento no Tribunal Internacional

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No Camboja, o Tribunal, apoiado pela ONU, recebeu e ouviu hoje o primeiro dos cinco antigos líderes dos Khmers Vermelhos acusados da morte de quase dois milhões de pessoas nos anos setenta. É no tribunal internacional que será julgado e este foi apenas o primeiro passo para o país enfrentar a pior página da sua história.

Duch, de verdadeiro nome Kang Kek Ieu, 65 anos, estava detido desde 1999 numa prisão militar à espera de ser acusado pelo tribunal internacional. Os outros quatro réus continuam em liberdade. Duch confessou ter cometido inúmeros crimes durante o período em que chefiou o centro de interrogatórios de Tuol Seng, em Phom Penh. Na prisão, transformada em centro de tortura, terão morrido entre 14 mil e 16 mil pessoas.

Nic Dunlop, autor de um livro sobre os Khmers Vermelhos, afirma que “há poucas dúvidas sobre a responsabilidade de Duch numa longa lista de abusos, torturas e execuções. Ele não cumpria apenas ordens, mas agia também por sua iniciativa, pois tinha autoridade”.

Apenas dez pessoas sobreviveram à sua passagem pelo centro de tortura, transformado agora em museu. Quase 30 anos após a queda do regime, o Camboja tenta sarar as feridas, mas os grandes dirigentes nunca serão julgados. Pol Pot, o líder histórico, e Ta Mok, o chefe militar, já faleceram.