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Cristãos libaneses cada vez mais divididos

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Cristãos libaneses cada vez mais divididos

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Num Líbano profundamente dividido, os cristãos não afinam, mais uma vez, pelo mesmo diapasão. Um duelo fractricida que adensa a confusão política num país já profundamente afectado pelas lutas entre prós e anti-sírios. Frente-a-frente os partidários de Amin Gemayel e Michel Aoun. As eleições legislativas parciais deste fim-de-semana foram marcadas por um clima de tensão entre as duas vertentes cristãs. Uma eleição considerada como um ensaio para as eleições presidenciais do Outono, que tradicionalmente permitem eleger um cristão para a chefia do Estado. Amin Gemayel, antigo presidente do Líbano – entre 1982 e 1988 – apoia-se na coligação anti-síria e nos sunitas. Mas ele, que queria reconsquistar o lugar de deputado do seu filho Pierre Gemayel assassinado em Novembro de 2006, não conseguiu impedir Michel Aoun de apresentar um candidato que acabou por vencê-lo. Um símbolo da desunião entre os cristãos do Líbano.

Regressado ao Líbano em 2005 após dez anos de exílio, Aoun estreitou, em 2006, relações controversas com o Hezbollah apoiado pela Síria e pelo Irão. O seu objectivo é tentar a coabitação entre cristãos e muçulmanos. Uma ideia louvável mas muito criticada na comunidade cristã. Os cristãos representam actualmente a primeira confissão religiosa no Líbano com 40% da população, seguidos dos chiitas, dos sunitas e dos drusos. Uma comunidade já bastante dividida com a guerra civil, à imagem das clivagens entre Aoun e Gemayel. Foi Amin Gemayel quem esteve na origem da carreira política do general Michel Aoun: horas antes de abandonar o poder, em 1988, nomeia-o presidente de um governo de transição.

Aoun lança-se um ano mais tarde na guerra de libertação contra a Síria. Uma guerra fractrícida que abandona em 1991 ao refugiar-se na embaixada francesa em Beirute. 16 anos depois, a comunidade cristã do Líbano está cada vez mais dividida e os seus desentendimentos são aproveitados e explorados pela Síria interessada em manter o caos no país. O principal desafio será de encontrar um terreno de entendimento de forma a poder colocar um dos seus na chefia do Estado nas presidenciais do Outono.