Última hora

Última hora

Berço do Solidariedade no leito da morte económica

Em leitura:

Berço do Solidariedade no leito da morte económica

Tamanho do texto Aa Aa

Nos anos 80 abriu, as portas à queda do comunismo e ao sonho europeu. Agora, as regras comunitárias podem levar os estaleiros navais de Gdansk, na Polónia, a fechar portas. Com a entrada na União Europeia, Varsóvia não pode continuar a dar ajudas estatais aos estaleiros que se tiverem de devolver as últimas transferências vão à falência.

Os antigos Portos Lenine chegaram a uma encruzilhada: ou a União Europeia aceita o plano de reestruturação, que prevê a privatização, ou é a bancarrota para os estaleiros. A Comissão Europeia não quer ver os estaleiros “fechar”, mas para isso “terá de existir um ambicioso plano de reestruturação que permita a sobrevivência a longo prazo”.

Em Gdansk, pede-se de novo a protecção de João Paulo II, o falecido Papa polaco que muito ajudou o movimento sindical Solidarno. Lech Walesa, o líder histórico do Solidariedade, está triste, sente o possível encerramento do estaleiro, que foi a “mãe de todas as vitórias”, como uma “derrota pessoal”.

Foi aqui, em Gdansk que nasceu a primeira organização sindical não comunista do lado de lá do muro de Berlim, o Solidarno. O fim do comunismo começou nos estaleiros de Gdansk. Agora, o sonho europeu tornado realidade, transforma-se em pesadelo para o embrião da queda do muro.