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Islamistas moderados a um passo da vitória em Marrocos

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Islamistas moderados a um passo da vitória em Marrocos

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Os islamistas do Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD) podem tornar-se na primeira força política de Marrocos, nas legislativas de 7 de Setembro. Mas a taxa de abstenção e o nível de corrupção vão pôr à prova este escrutínio. Tal como anteriores eleições, os cidadãos não sentem grande atracção pelas urnas. Como afirma um pescador: o que vende é peixe. E não vai votar porque não vê nisso qualquer interesse.

Os islamitas do PJD esperam conseguir 80 assentos parlamentares. De qualquer maneira vão de vento em popa. Duas sondagens de Julho colocaram-nos à frente dos nacionalistas do Istiqlal e dos socialistas do USFP. Os analistas consideram que muitos marroquinos descontentes votam PJD porque o partido lhes prometeu lutar contra a corrupção e o terrorismo. Os islamitas do PJD, apesar de moderados, mantêm-se estritamente separados das mulheres que usam, quase todas, burka ou véu. Nestes últimos cinco anos, constituiram a terceira força legislativa do país.

Abdelilah Benkirah, o líder, promete: “O dia 7 de Setembro será o dia do fim da corrupção porque marcará o fim dos políticos corruptos”. Os partidos rivais tradicionalistas tentam estabelecer o elo indirecto entre o PJD e o terrorismo. Muitos agitam o espectro da Al Qaida e da violência argelina dos anos 80.

Mas os islamitas do PJD recusam comparações: a miséria social, a pobreza e o desemprego é que são terrenos férteis para o terrorismo. O PJD defende a ajuda aos mais desmunidos através de um islamismo democrático…no entanto, impõe a charia como fonte principal da legislação do Reino.

O escrutínio proporcional não ajuda nenhum partido na obtenção da maioria absoluta. Para entrar no governo, o PJD deve fazer aliança com outros, mas a questão é que os outros querem constituir governos sem os islamitas. No caso do PJD conseguir uma vitória muito distanciada, todas as formações políticas têm de rever o programa de coligações.