Última hora

Última hora

Governo francês vai rever os regimes especiais e acabar com abusos

Em leitura:

Governo francês vai rever os regimes especiais e acabar com abusos

Tamanho do texto Aa Aa

É preciso financiar as reformas das gerações futuras e isso passa pela harmonização imediata dos diferentes sistemas existentes em França.
Nikolas Sarkozy decidiu que é tempo de acabar com os chamados regimes especiais em que nenhum governo antecessor ousou tocar.

Aproveita a opinião pública favorável, de momento: 68 por cento dos franceses são pelo fim dos privilégios de alguns.

Em França, a idade da reforma depende do sector, dos anos em que se descontou.. No privado, contam os melhores 25 anos; no público, os melhores seis meses….

Os empregados das indústrias eléctricas e do gás de França, da Banca, da ópera, do Exército, das minas, do Parlamento ou do clérigo, são todos beneficiários de regimes especiais que datam mais ou menos da II Guerra Mundial.

As reformas são, frequentemente,antecipadas. Os anos de quotização menos longos e, por todos estes sistemas, um défice coberto pelo Estado ou pela empresa relativa. Na SNCF, o défice atinge os 3 mil milhões de euros. O regime especial dos caminhos de ferros franceses para a doença, a reforma e as pensões familiares abrange 178 mil activos mas também 190 mil reformados e ainda toda a família!

Na rede de Transportes Públicos é a empresa que compensa os 400 milhões de euros de défice. Um condutor pode reformar-se aos 50 anos, um maquinista, aos 55. Porque o trabalho é duro e perigoso, justificam.

Christophe Tollé, maquinista recusa ser privilegiado; afirma que à dificuldade da profissão correspondem aquilo que parecem ser vantagens mas não são é por isso que não se deve tocar nos regimes especiais.

Serão precisos argumentos convincentes para o sector privado. Carlos Dantas tem as mesmas qualificações que um chauffer do sector público, ganha menos 20 por cento e tem de descontar durante 40 anos.

Queixa-se de só aos 65 anos ter direito à reforma, o que não é favorável em termos de segurança.

Em 1993, as reformas do sector privado já sofreram as primeiras grandes alterações, passando para 10 anos mais tarde, em relação ao resto dos funcionários.
Em 1995, o plano Juppé tentou tocar nos regimes especiais, mas as greves paralisaram o país, e o governo não ousou… retirou o plano de reformas.