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Monges budistas de Myanmar

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Monges budistas de Myanmar

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Os monges budistas de Myanmar têm feito as manchetes dos jornais do mundo inteiro por terem decidido demonstrar o que a população por si só não podia. Desafiaram a proibição de protestar num país onde até a galardoada com o Nobel da Paz é mantida entre quatro paredes.

No budismo Theravada da antiga Birmânia, os monges não podem sequer recusar serviços religiosos a violadores ou a assassinos, mas quando os recusaram aos membros da Junta Militar no poder, tornou-se claro que o descontentamento era mais profundo do que nunca.

Bastou essa simples recusa, totalmente pacífica e simbólica, para que os birmaneses percebessem que a única fonte de poder existente no país para além da Junta Militar estava prestes a desafiar a sinistra ditadura militar que governa a antiga Birmânia (ou Myanmar).

Grande parte dos jovens birmaneses do sexo masculino dão entrada nos mosteiros, como noviços, antes de fazerem 16 anos e mais tarde, como monges, quando cumprem 20 anos, o que significa que em quase todas as famílias há – ou houve – um monge.

De acordo o Budismo “os monges têm o direito e o dever de denunciar quando a religião é insultada. E é esse o caso, neste momento, quando a população está a fazer oferendas e vive na miséria por causa dos erros das autoridades”.

Oficialmente, as manifestações dos monges não são políticas, mas um monge refugiado na Tailândia pede ajuda sem subterfúgios:

“Pedimos ajuda às potências ocidentais para ajudar a instalar a democracia rapidamente em Myanmar. Os birmaneses precisam de democracia. Vivem há demasiado tempo no medo e na opressão”.

Ao longo do ano, os mosteiros da Birmânia têm em média cerca de 400 mil monges.

O Conselho Senior dos Monges é nomeado pelo regime, por isso, considerado corrupto. Esta revolta acaba por ser também uma rebelião dos jovens monges contra a velha ordem.