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Putin sucede a...Putin

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Putin sucede a...Putin

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Como deixar o poder sem o perder? A fórmula não foi inventada por Putin mas serve a personagem e o país às mil maravilhas. É difícil renunciar ao governo de uma grande potência com apenas 55 anos de idade e uma popularidade enorme.

Vladimir Putin anunciou que volta ao poder como primeiro-ministro, seguro de que o seu partido vai ganhar as legislativas!

E afirmou, a propósito, que aceitava, agradecido, a proposta para liderar a lista da Rússia Unida.

Nikolai Petrov, analista, considera que tal como a maioria dos presidentes que vão ficando mais velhos, ele também ficou mais sábio. E gosta do poder – ergueu um sistema de poder pessoal e quer mantê-lo por mais algum tempo.

As sondagens dão 55 por cento dos votos à Rússia Unida, que, até às legislativas de Dezembro, pretende chegar aos 70 por cento com a chegada do novo cabeça de lista.

Putin acabou por “driblar” todos os adversários. Há menos de um mês, depois de uma remodelação ministerial, nomeeou Viktor Zubkov, de 66 anos, primeiro-ministro. Sem grande carisma, acaba por ser um possível candidato à presidência.

Mas outros candidatos à presidência de 2008, como Serguei Ivanov ou Dimitri Medvedev apresentan o perfil para o projecto de Putin: um presidente “secundário” e um primeiro-ministro forte.

Pela frente, uma oposição liberal com dificuldades em unir-se e em motivar-se. Apenas três por cento dos russos se acham prontos para votar num candidato da oposição. O antigo campeão de xadrês Gary Kasparov e o antigo primeiro-ministro Kassianov, saídos dos rangs do movimento A Outra Rússia, estão na corrida. São úteis para a democracia, mas não mudarão os dados.

O antigo dissidente soviético Vladimir Bukovski, que Diego Malcangi da Euronews entrevistou em Cambridge, conhece o jogo, viciado à partida:

“O que eu e outras pessoas como Kasparov tentamos é preservar a instituição das eleições; ou seja, se não fizermos o que estamos a fazer, isto seria apenas um espectáculo aborrecido com Putin como sucessor de si mesmo”.

No fundo, a única e verdadeira oposição ao poder de Putin na rússia é a dos comunistas de Gennadi Zyuganov, com cerca de 20 por cento das intenções de voto. São talvez os únicos que vão entrar na Duma ao lado da Rússia Unida depois das legislativas.