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Alexis II defende direitos humanos e ética ao mesmo nível para a Rússia

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Alexis II defende direitos humanos e ética ao mesmo nível para a Rússia

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Sua Santidade, o Patriarca Alexis II da Igreja Ortodoxa Russa esteve no Conselho da Europa, em Estrasburgo, França, para defender uma nova geração dos Direitos do Homem.
Mas, na verdade, a sua defesa de um conceito alternativo dos direitos humanos tem sido muito criticada por ser considerada como uma justificação para a violação dos direitos humanos na Rússia.
A seguir ao discurso, aceitou responder em exclusivo às questões do enviado especial da Euronews, Pyotr Fyodorov, sobre o papel da Igreja na socidedade, apesar da fragilidade do seu estado de saúde.

EuroNews: Em que áreas acredita ser essencial a cooperação entre a Igreja Ortodoxa Russa com as autoridades seculares e em que campos é inaceitável?

Alexis II: Penso que temos muitas missões comuns. E podemos assumir estas tarefas em conjunto. Há, por exemplo, a questão da segurança social, a manutenção das relações pacíficas entre as diferentes religiões no nosso país, a prevenção das tensões entre as comunidades e os grupos religiosos.
Isto prova que a Igreja ortodoxa russa não está longe das preocupações da população. A Nossa Igreja e o Estado russo têm as mesmas preocupações sociais. Defendemos o bem-estar da população e o seu futuro.

EN: Muitos intelectuais russos criticaram recentemente, e cito, “o papel excessivo da Igreja Ortodoxa na vida da Nação”. Como qualifica a influência da Igreja na Rússia moderna?
Alexis II: Não acho que que o papel da Igreja Ortodoxa seja excessivo. No início dos anos 90, decidimos que nenhum dos nossos padres podia ser candidato ao Parlamento ou ter responsabilidades na administração Pública.
Temos uma missão pastoral. Tentamos satisfazer as necessidades dos fieis, evitando qualquer envolvimento na política.
E sobre a nossa sugestão para que os fundamentos da cultura ortodoxa façam parte do programa básico nas escolas: estamos absolutamente convencidos de que as pessoas educadas na Rússia devem conhecer a história do país, incluindo a história milenar da fé ortodoxa an Rússia.
Compreender as normas e fundamentos da cultura ortodoxa é um dever de todas as pessoas na Rússia.
EN: A Igreja Ortodoxa Russa colabora com as outras religiões com representação no país?
Alexis II: Temos o Conselho das Confissões, que se junta quatro a cinco vezes por ano. Discutimos e resolvemos problemas que surjam entre nós e tentamos arranjar uma solução. Temos uma boa relação, não há qualquer hostilidade, mesmo se não concordamos em todos os assuntos.
Todos têm o direito a expressar opiniões. E fazêmo-lo, por exemplo, em relação è educação religiosa. A nossa posição, sobre o assunto, não muda. Não concordamos com os académicos que acusam a chamada “clericalização da sociedade”. Seguimos escrupulosamente o princípio constitucional da separação da Igreja do Estado. O número de fieis na Rússia está a aumentar e o nosso dever é responder a esta demanda espiritual.

EN: Neste Conselho inter-religioso, falam da situação dos Direitos do Homem na Rússia?

Alexis II : Claro que falamos. E estamos convencidos de que os direitos humanos devem ser protegidos em conexão com as normas éticas.

EN: Uma última questão… como encara o diálogo entre a igreja ortodoxa russa e a igreja católica romana? Quais são os eventuais obstáculos ao diálogo?

Alexis II: Acho que a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica Romana têm de fazer face a muitos problemas idênticos: a conservação dos valores éticos e espirituais, a conservação dos valores de família, a resistência à propaganda imoral que invade os Media.
Juntos, devemos lutar para proteger os valores espirituais e éticos. Para nós isso é sagrado. E é o que devemos transmitir aos fiéis.