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Reforma dos regimes especiais em França

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Reforma dos regimes especiais em França

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A França é um país de paradoxos. SE por um lado está paralisada por uma enorme greve contra o fim dos regimes especiais nas reformas, por outro, as sondagens mostram que 63 por cento dos franceses querem trabalhar até aos 65 anos e estão a favor da remodelação.

Neste número não está incluido nenhum beneficiário dos ditos regimes, claro…

Sarkozy explica que, como vivemos mais tempo, se não descontarmos também durante mais tempo, não é possível financiar as pensões. E é isso que diz e repete aos ferroviários, electricistas e outros: não pode haver duas categorias de franceses, os que descontam 40 anos e os que descontam apenas 37,5!

Os regimes especiais abrangem 128 profissões, um milhão e cem mil de reformados mas também meio milhão de activos que supõe vir a beneficiar do sistema.
O Estado pagou por este privilégio, no ano passado, cinco mil milhões de euros.
O objectivo da reforma de Sarkozy é prolongar o tempo de trabalho para as quatro décadas, a todos os funcionários, calculando-se a reforma na bse dos últimos seis meses de actividade.

O que se pretende é a restrição do famoso artigo do Código de Segurança Social dos regimes “adquiridos com luta”, alguns, já no século XIX. Neste caso, estão os regimes de que beneficiam os empregados da EDF, criados para compensar o perigo da profissão.

Os ferroviários são, de longe, os mais beneficiados – toda a família, mesmo depois da reforma do pensionista, beneficia de subsídios como o do vapor, apesar destas máquinas terem sito suprimidas há um século, assim como de médicos e férias pagas. A SNCF tem 368 mil activos…

Menos mediatizados estão outros sectores, como os marinheiros, notários e mesmo o pessoal da Ópera de Paris – com um estatuto que remonta a Luis XIX e foi instaurado “para preservar a excelência da trupe”. Os dançarinos podem reformar-se a partir dos 40 anos….mas não a maior parte dos desportistas, por exemplo…

Este regime de desigualdades e especialidades divide, ate, a classe política, pois os senadores e deputados também gozam dele – a reforma é atribuida a partir dos 53 anos aos senadores.
Agora, ironia das ironia, alguns políticos vão ter de votar pela abolição dos chamados regimes especiais!