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Os desafios económicos de Cristina de Kirchner

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Os desafios económicos de Cristina de Kirchner

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A vitória de Cristina Fernandez de Kirchner nas presidenciais foi bem mais fácil do que o que serão os primeiros meses da sua presidência. Aliás é mesmo pertinente perguntar se a presidente argentina eleita vai ter o tradicional estado de graça? Cristina herda do marido, Nestor Kirchner, uma Argentina em vias de estabilização, mas ainda frágil. Seis anos após a crise que mergulhou o país no caos, o traumatismo ainda é muito grande.

Em finais de 2001, os argentinos tiveram dois presidentes em 10 dias, as poupanças da classe média desapareceram, a desconfiança em relação à classe política, acusada de corrupção e nepotismo, atinge o seu ponto alto. A crise agudizou-se ainda mais em 2002.

Eleito com uma curta maioria, o peronista Nestor Kirchner foi empossado em Maio de 2003. Durante o mandato, decide acabar em parte com as políticas neoliberais dos anos 80 e aplica um modelo de economia mista entre os sectores privado e público. Desta forma consegue pôr o país na via do crescimento económico.

Nos últimos anos, a Argentina tem registado um crescimento na ordem dos oito por cento. De acordo com as previsões para 2007, este crescimento deverá mesmo ser superior e abrandar um pouco em 2008. O desemprego e a pobreza também têm vindo a recuar em relação aos níveis atingidos durante a crise, há cinco anos.

Mesmo assim as taxas são muito elevadas. Cerca de 10 por cento para o desemprego e a pobreza ainda atinge 30 por cento dos argentinos. Mas o mais preocupante é a inflação, que é inferior a nove por cento de acordo com as estatísticas oficiais, mas que se situa entre os 15 e os 20 por cento de acordo com estimativas independentes.

Há muito que os argentinos deixaram de confiar nos números oficiais do INDEC e vivem permanentemente angustiados com um eventual regresso da hiperinflação dos anos 80. Nos mercados, todos os dias se constata a mesma coisa: crescimento igual a inflação. Afirma uma residente de Buenos Aires que “Já não podemos mais, isto está cada vez pior. A economia é terrível e parece-me que o pior está para vir.”

O outro ponto fraco da Argentina é o estado vetusto das suas infra-estruturas. Para que estas acompanhem o crescimento económico é necessário muito investimento. E para tal, Cristina Fernandez de Kirchner terá que seduzir os capitais estrangeiros.