Última hora

Última hora

Conspiração anti-soviética justifica Grande Purga

Em leitura:

Conspiração anti-soviética justifica Grande Purga

Tamanho do texto Aa Aa

Em 1924, Estaline sucede a Lenine no poder, mas é só na década seguinte que nasce o estalinismo. Em meados dos anos 30, o chamado “homem de aço”, que se servia do culto da personalidade como arma ideológica, inicia a liquidação da velha guarda bolchevique em detrimento de uma nova geração de políticos que lhe deve tudo.

Pouco depois começa a Grande Purga, com julgamentos de grandes dimensões em Moscovo e cujo objectivo é o de convencer a opinião pública da existência de uma vasta conspiração anti-soviética. Os processos acabam todos da mesma maneira, isto é com condenações à morte. 725 mil pessoas terão sido fuziladas durante este período na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Entre as vítimas encontram-se todos os bolcheviques que tiveram papéis preponderantes na revolução de 1917 ou no governo de Lenine. No dia 05 de Agosto de 1937, a directiva “prikaz 00447” dá o mote para o início da grande purga, na qual a polícia secreta tinha a obrigação de respeitar quotas de extermínio definidas pelo poder.

A grande maioria dos deportados era inocente. Ainda hoje é difícil avaliar precisamente o número de vítimas. Estimam-se me mais de 12 milhões e meio. Certo é que não houve sobreviventes. Hoje em dia, são as famílias quem pede a reabilitação, mas para tal é preciso provar a inocência da pessoa em causa.

“Primeiro temos que analisar os arquivos para sabermos se a pessoa lutam contra o exército vermelho ou contra os militantes soviéticos, ou se roubaram civis. Para nós é difícil lidar com estes casos”, explica Bogdan Dublenitch, responsável pelo gabinete de reabilitação da região de Magadan.

O pai de Vladimir foi enviado para o gulag após ter sido libertado de um campo de concentração nazi por ser acusado de colaboração. “Ainda me lembro dos rostos dos homens que me disseram ‘tu és um cão, filho do inimigo público’ porque na altura se o seu fosse feito prisioneiro de guerra era o que acontecia.”

Esta reabilitação começou com a chegada ao poder de Kruchov. De acordo com a Memorial uma organização de defesa dos direitos do homem russa o acesso aos arquivos tornou-se mais difícil com Putin na presidência.