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Bamir Topi: "Albânia não será primeiro país a reconhecer independência do Kosovo"

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Bamir Topi: "Albânia não será primeiro país a reconhecer independência do Kosovo"

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Bamir Topi é o Presidente da República da Albânia desde Julho e como chefe de Estado tem uma palavra preponderante na política externa do país. A sua vontade é que a Albânia adira à NATO e à União Europeia o mais rápido possível. Bruxelas publica no dia 6 um relatório a avaliar os progressos do país nos esforços para se juntar aos 27. O último relatório foi favorável a Tirana mas o futuro estatuto do Kosovo continua a influenciar as relações com a União Europeia e Sérvia.

EuroNews: O que é que pensa da possível declaração unilateral por parte dos Albano-kosovares, acha que é uma acção responsável?

Bamir Topi: Se não for encontrada outra solução, se não houver uma solução consensual aceite por todos os organismos internacionais envolvidos, então o último recurso será a declaração unilateral, que serve e será benéfica para a estabilidade dos Balcãs. A Albânia não vai ser o primeiro país a reconhecer essa independência, porque a nossa posição e a nossa política estão em sintonia com as regras internacionais.

EN: Mas como sabe, nem todos os Estados membros da União Europeia estão a favor da independência unilateral do Kosovo.

BT: Acredito que até ao momento, e creio que também no futuro, a Albânia vai continuar a desempenhar o seu papel de moderador que tem sido também um papel de estabilização, e que ajuda a sua política externa. A Albânia acredita e as instituições albanesas acreditam que depois do período de 100 dias não há outra solução possível. A partir daí seremos a favor do plano Ahtissari.

EN: Receia a instabilidade na região, acredita que a adesão à NATO dará mais estabilidade à Albânia?

BT: Primeiro que tudo acho que a estabilidade na região depende muito das boas relações construídas entre os vizinhos balcânicos. Em segundo lugar, a Albânia fez tudo a favor desse objectivo e a solução do Kosovo vai contribuir muito para uma estabilidade a longo prazo. Não acredito que exista insegurança nos Balcãs. Assim, a adesão dos três países do adriático – a Albânia, a Macedónia e a Croácia – à Aliança Atlântica vai contribuir muito para uma estabilidade de longo prazo na região.

EN: O Kosovo é um obstáculo para a Sérvia e a Albânia aderirem à União Europeia?

BT: Acredito que uma solução para o diferendo do Kosovo vai libertar psicológicamente a Sérvia e vai orientá-la para a integração euro-atlântica. Isto tem sido apontado por muitos analistas que dizem que depois de encontrada uma solução para o Kosovo, a Sérvia vai ficar muito mais orientada para a integração Europeia.

EN: Sim, mas não acha que as duas entidades albanesas possam um dia tornar-se muito próximas?

BT: Não acredito que se venha a pensar nisso. Acredito que o futuro dos nossos países, como já mencionei, o Kosovo, a Albânia e a Sérvia, e qualquer outro país balcânico, será na União Europeia. O nosso futuro está projectado nesse caminho! Não podemos pensar que cada país – Albânia ou Kosovo – vai entrar em primeiro lugar na União Europeia mas a política externa da Albânia está plenamente orientada para alcançar esse objectivo.