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Paolo Bettini discorda que passaporte biológico seja a solução para o fim do doping no ciclismo

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Paolo Bettini discorda que passaporte biológico seja a solução para o fim do doping no ciclismo

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No final de Novembro passado, em Estugarda, Paolo Bettini renovou o titulo de Campeão do Mundo de Ciclismo em Estrada, não obstante a organização considerou-o, numa primeira fase, persona non grata. Um mês depois, Paolo Bettini em entrevista à Euronews fala sobre temas como o cepticismo em relação ao passaporte biológico, a escolha do seu sucessor, o adiamento da sua retirada e também a morte de Marco Pantani. Encontrámos Paolo Bettini no Mónaco onde nos responde a todas as nossas questões.

Euronews: Anunciou o fim da sua carreira no final da próxima temporada. A forma como conquistou o titulo mundial deste ano pode fazê-lo mudar de ideias quando a essa retirada?

Paolo Bettini: É certo que a victória de Estugarda deu-me alento para continuar até porque no próximo ano realizam-se os Jogos Olimpicos e vou disputá-los com dois titulos mundiais em mão. Algo que nunca imaginei. Em todo o caso mantenho aquilo que disse. Em principio a minha carreira termina em 2008, altura em que acaba também o meu contrato. Depois logo se vê. Quando chegar essa altura devo tomar uma decisão muito importante.

Euronews: Nem mesmo a raiva que sentiu em Estugarda o pode fazer mudar de ideias?

Paolo Bettini:Sem duvida, que a raiva que senti em Estugarda e nos dias que antecederam os Campeonatos do Mundo ajudaram-me a aplicar a fundo. Pode dizer-se que foi “uma bela experiência”. Percebi que pode destruir-se uma carreira a qualquer momento. Felizmente, tive o apoio de uma equipa de pessoas que ajudou a provar a minha inocencia, demonstrando que as acusações formuladas contra mim não tinham fundamento.

Euronews: A Agência Mundial Antidopagem e a União Ciclista Interancional chegaram a um acordo para implementar um passaporte biológico individual de cada ciclista. Acredita que esta é uma medida para lutar contra o doping?

Paolo Bettini:Tenho muitas duvidas em relação a isso. A UCI e a AMA há muitos anos que têm os passaportes biologicos de cada ciclista. Desde 1997 que todos corredores têm de submeter-se a controlos cruzados de sangue e urina que depois são usados para desmascarar casos de doping. Ou seja, há dez anos que estes dois organismos dispoem dos dados biológicos de cada atleta. De modo que a unica coisa que irão fazer, para o ano que vem, é establecer parametros comuns.

Euronews: Estou a vê-lo um pouco céptico…

Paolo Bettini:Repito. Têm uma infinidade de dados nossos desde 1997. Meus também, porque foi o ano em que me tornei profissional. E, desde então, tenho-me submetido a controlos continuos de sangue e urina. Controlos que ao fim ao cabo são biológicos.

Euronews: Um livro de um jornalista francês, acabado de publicar, afirma que Marco Pantani não se suicidou e foi sim assassinado. Qual é a sua opinião?

Paolo Bettini:Eu só conheci o Marco como atleta e não como pessoa. Ou pelo menos não conhecia muito bem. A impressão que tenho desta história é que tudo o que aconteceu não teve nada a ver com o com o mundo do ciclismo. Ouvimos muitas historias sobre ele, mas equecemos que nunca acusou positivo num controlo anti-doping e que submeteu-se a mais de mil provas ao longo de toda a carreira. Sempre esteve livre de suspeitas. Depois começaram os problemas que o afastaram das bicicletas e refugiou-se num mundo que, de inicio, o fez sentir-se melhor mas que eventualmente acabou por lhe colocar um fim a vida.

Euronews: Imagine por um momento que para salvar a face do ciclismo seria preciso paralizar a modalidade durante cinco ou seis anos e depois começar tudo de novo, como se nada tivesse acontecido. Acha que teria algum resultado?

Paolo Bettini:Não. Acho que bastavam apenas alguns meses. Mas isso exigiria muito trabalho. Nos ultimos anos foram criadas muitas regras novas, mas na verdade não se renovou o regulamento. E é certo que se deve e pode fazer.
Por exemplo durante os periodos de inactividade, quando nao há provas ,como no Inverno.Dois ou tres meses seriam suficientes para esboçar um regulamento justo. Não obstante, devemos ser conscientes, de que sempre haverá alguém disposto a jogar sujo. Mas isso é outra história, a da natureza humana. Existirá sempre algum problema.

Euronews: Entre vitória e victoria já teve tempo de identificar no pelotão o ciclista a que toda a gente chama o novo Bettini?

Paolo Bettini:Claro que já reparei no Giovanni Visconti. Inclusive escolhi-o para ser meu companheiro de equipa. Ve-lo correr traz-me muitas recordações. Lembro-me de quando era joveme estava a dar os primeiros passos neste deporto, apesar de haver uma diferença importante entre ambos: é que o Visconnti já começou a ganhar titulos. Não podemos esquecer que é o campeão de Italia.

Euronews: Com a idade dele era mais ou menos forte?

Paolo Bettini:Como me lhe digo, ele aos 24 anos já é campeão de Itália. Eu tive de esperar até aos 26 para conseguir o meu primeiro titulo significativo.