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Estado de emergência poderá ditar fim do regime de Musharraf

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Estado de emergência poderá ditar fim do regime de Musharraf

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Os jornais e a população chamam-lhe o segundo golpe de Estado de Pervez Musharraf, ou como conservar o poder absoluto sob pretexto de querer salvar a democracia do país.

Há precisamente oito anos, aproveitando uma situação militar tensa em Caxemira, o então recentemente nomeado Chefe de Estado Maior das Forças Armadas toma controlo do poder com o apoio dos militares, sem derramar uma gota de sangue, e promete restaurar a democracia.

Musharraf vê-se como o salvador da pátria e o único capaz de lutar contra o fundamentalismo islâmico e contra a al Qaida, o que lhe valeu um apoio quase incondicional de Washington.

Mas este apoio deixou de o ser com a instauração do estado de emergência. De visita a Jerusalém, Condoleeza Rice fez questão de exprimir a decepção da Casa Branca. A secretária de Estado norte-americana referiu que “os Estados Unidos não apoiam a medida e já fizeram saber às autoridades paquistanesas que não apoiarão quaisquer medidas extra constitucionais.”

Torna-se pertinente perguntar por quanto tempo mais é que Musharraf vai conseguir controlar o país? Para o analista Zahid Hussein, o dirigente paquistanês cavou a sua própria sepultura. “A situação é muito séria. O general Musharraf impôs o estado de emergência como um acto de desespero, provocando uma crise que ele mesmo não pode resolver e parece-me que é o início do fim do jogo.”

E nesta etapa final qual será o papel da antiga primeira-ministra Benazir Bhutto, muito apreciada pelos norte-americanos e ainda mais radical em relação aos islamitas do que Musharraf. Tendo em conta a situação actual, a aliança que ambos estavam a negociar deixou de ter futuro, caso contrário poderá reforçar a posição dos fundamentalistas no parlamento e perder o apoio do exército.